Lourinhã – Capital dos Dinossauros

Malhado, A.; Marques, C.; Ferreira, F.; Paulino, J.; Ribeiro, J.

Partindo dos temas: “As rochas – arquivos que relatam a história da Terra” e “Princípios da Estratigrafia”, lecionados no 10.º ano, na disciplina de Biologia e Geologia, o trabalho pretendeu fazer uma análise das formações geológicas das praias do Caniçal e da Consolação, nos concelhos da Lourinhã e Peniche, respetivamente, salientando-se a importância dos princípios da estratigrafia e dos processos de fossilização. Como ponto de partida para a elaboração do trabalho, foi realizada, por um lado, uma visita de estudo às referidas praias e, por outro, uma visita guiada ao Museu da Lourinhã.

A visita ao Museu permitiu contactar com espécimes pertencentes ao seu acervo e com o trabalho desenvolvido no âmbito da investigação em paleontologia. O museu alberga várias partes esqueléticas e pegadas de dinossauros herbívoros e carnívoros, descobertos na região da Lourinhã, os quais têm sido alvo de estudos científicos. De entre a diversidade de fósseis, salienta-se o dinossauro denominado Lourinhanossaurus antunesi.

Na saída de campo à praia do Caniçal foram observados aspetos geológicos, nomeadamente os episódios de sedimentação detrítica com cerca de 150 M.a., do Jurássico Superior (figura 3), uma falha tectónica (figura 2), a norte do acesso em terra batida à praia, e um filão magmático (figura 1), o único vestígio de rochas magmáticas neste troço do litoral. O filão e a falha ilustram o princípio da interseção, sendo que a rocha que constitui o filão e a fratura são mais recentes que a sequência sedimentar que atravessam. O filão de dolerito situa-se na arriba e, segundo a Notícia Explicativa da folha 30-A, Lourinhã, a rocha encontra-se muito alterada. Esta estrutura geológica resulta de uma fratura nas rochas sedimentares que foi aproveitada pelo magma, que ascendeu através dela. Posteriormente o magma arrefeceu e cristalizou. A pasta é rica em horneblenda castanha que forma cristais prismáticos alongados.

Na praia da Consolação observou-se uma grande variedade de fósseis, nomeadamente cnidários (corais – figura 4A), equinodermes (espículas – figura 4B) e moluscos (bivalves e gastrópodes), o que permitiu reconstituir o seu paleoambiente, que seria marinho de baixa profundidade, com águas relativamente quentes.

No Museu da Lourinhã, vila que se intitula Capital dos Dinossauros devido à diversidade de fósseis de dinossauros encontrados na região, foi possível observar fósseis e réplicas de dinossauros e o seu laboratório de paleontologia, o que permitiu uma maior compreensão de todo o processo de preparação, transporte e tratamento dos fósseis (figura 5).

Na praia do Caniçal observaram-se evidências de vários processos geológicos, como uma arriba estratificada, a inclinação de camadas inicialmente horizontais, uma falha e um dique magmático. Na praia da Consolação, já no concelho de Peniche, foi possível observar uma arriba com plataforma de abrasão onde se encontram milhares de fósseis de invertebrados, tendo-se identificado fósseis de bivalves, corais, gastrópodes e equinodermes. O Museu da Lourinhã e o seu laboratório de paleontologia comprovam que os locais visitados são privilegiados para a compreensão e aquisição de conhecimentos sobre a história da Terra, particularmente da região, devido à boa exposição das suas arribas e ao facto de ser o concelho da Europa mais produtivo em fósseis do Jurássico Superior. O trabalho realizado permitiu, assim, aprofundar os conteúdos estudados no âmbito de paleontologia e estratigrafia e contactar in loco com aspetos abordados em sala de aula.

Figura 1 – Filão observado na praia do Caniçal – Aplicação do princípio da interseção.

Figura 1 – Filão observado na praia do Caniçal – Aplicação do princípio da interseção.

Figura 2 - Falha tectónica (Praia do Caniçal).

Figura 2 – Falha tectónica (Praia do Caniçal).

Figura 3 – Ambiente de sedimentação detrítica. A – Clastos de menores dimensões; B - Clastos de maiores dimensões (praia do Caniçal).

Figura 3 – Ambiente de sedimentação detrítica. A – Clastos de menores dimensões; B – Clastos de maiores dimensões (praia do Caniçal).

Figura 4 – Fósseis de corais (A) e espiculas de equinodermes (B) (Praia da Consolação).

Figura 4 – Fósseis de corais (A) e espiculas de equinodermes (B) (Praia da Consolação).

Figura 5 – Visita ao laboratório de Paleontologia do Museu da Lourinhã.

Figura 5 – Visita ao laboratório de Paleontologia do Museu da Lourinhã.

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Bibliografia:

http://simaomateus.com/GEALVGSM.htm (consultado em 9 de janeiro de 2012).
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Comments
One Response to “Lourinhã – Capital dos Dinossauros”
  1. Filipe Silva diz:

    Eu penso que este site é excelente para se consultar e obter informações!!!!

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