Caracterização Tecnológia e Aplicações das Argilas da Região do Juncal

Guilherme, J.; Alves, J.; Beato, A.; Paulino, M.; Pereira, T.; Salgueiro, A.

Palavras-chave: Argila, caracterização tecnológica, Cretácico, Juncal

As argilas, produto natural, são formadas por grãos muito finos com minerais alumino-silicatos hidratados constituídos pelos seguintes químicos: O, Si, Al, H, Fe, Mg, Ca, K e Na. Este produto natural apresenta, quase sempre, plasticidade em meio adequadamente húmido e endurece depois de seco e mais ainda depois de cozido.

A argila ocorre à superfície e forma-se nas interfaces da crusta com a atmosfera, a hidrosfera e a biosfera. As argilas da zona em estudo foram formadas em ambiente continental. A argila funciona com um filtro e um substrato para a vida e foi o primeiro produto natural a ser utilizado pelo Homem. Na Antiguidade, e ao longo do tempo, a argila era utilizada, principalmente, para a construção de habitações e de acessórios domésticos, mas, actualmente, de entre todos os produtos naturais minerais, a argila é um dos que tem maior numero e diversidade de aplicações e, para ela, vão sendo ainda encontradas novas e variadas aplicações. A argila é utilizada na cerâmica, no cimento, no papel, na borracha, nos plásticos, nas tintas, na metalurgia, nos fluidos de sondagem, nos agregados leves, nos absorventes, nas impermeabilizações, nos confinamentos e selagens, na peletização de rações e minérios, nas fibras de vidro e refractários. O objectivo deste trabalho é realizar uma análise e caracterização tecnológica das argilas do Juncal (tendo, contudo, em consideração os condicionalismos tecnológicos inerentes à instituição).

A área em estudo insere-se no sinclinal Alpedriz – Porto Carro, cujo centro está preenchido por 3 formações em série: Jurássico Superior, Cretácico Inferior e Cretácico superior.

O Jurássico Superior é constituído por um complexo de grés e de argilas de diversas cores, que abrange uma extensa área. O seu limite inferior é constituído por margas e calcários margosos com fauna marinha e o seu limite superior corresponde ao Cretácico Inferior. As argilas apresentam uma composição mineral essencialmente caulinítica e ilítica. Quanto à composição química, eles apresentam elevados teores em SiO2 e Al3O3. A distribuição textural registada, respectivamente, para a fracção arenosa, siltosa e argilosa, é de 5,2% a 24,8%; 37,9% a 51,7% e 37,4% a 55,4%, e para a fracção <20 µm é de 64,4% a 86,9%.
O Cretácico Inferior é constituído por um complexo Albiano – Aptiano constituído na base por matriz argilosa. De seguida, apresenta alternância entre níveis estratigráficos, níveis argilosos, níveis de grés argilosos e níveis de areia e siltes, onde estão instaladas as explorações de barro vermelho, que alimentam a indústria cerâmica da região. Este complexo apresenta uma espessura média de cerca de 440 metros, com orientação E-W com 3500 metros aproximadamente (Figuras 1 a 3).

As argilas, do ponto de vista químico, apresentam mais abundantemente os elementos SiO2 e Al3O3. Do ponto de vista mineralógico, a ilite, a caulinite e o quartzo são os minerais predominantes. Em relação à granulometria, a percentagem média da fracção de argila, siltes e areia é, respectivamente, 18,8%; 68,3% e 13% (Figura 4 e 5).

Na região do Juncal, a argila é extraída dos Barreiros, transportada por “dumpers” para as fábricas e aí é tratada e beneficiada para a produção do produto final. Nesta região o produto final é, essencialmente,  a cerâmica estrutural (telha e tijolo), havendo contudo diversas olarias e fábricas de porcelanas na região. As duas maiores empresas na região são a J. Coelho da Silva e a Margon. (Figuras 6).


Bibliografia
:
GRADE, J & MOURA, A. (1991). Estudo das formações gresosas cretácicas (Albiano – Aptiano) do flanco sul do sinclinal Alpedriz – Porto Carro. Estudos, notas e Trabalhos, 1992.
VELHO, J. et al. (1998). Minerais Industriais – Geologia. Propriedades, tratamentos, aplicações especificações, Produções e Mercados.
GUILHERME, J. (2004) Avaliações das potencialidades mineriais da bacia Juncal-Cós e impacte ambiental das explorações. Universidade de Aveiro.

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