Caracterização Hidrogeológica do Cretácico Inferior no Espaço do Instituto Educativo do Juncal

Santos, C.; Carmo, L.; Fino, C.

Palavras-Chave: Hidrogeologia, Cretácico Inferior, captação de água

O Instituto Educativo do Juncal encontra-se instalado em terrenos datados do Cretácico Inferior (fig. 1). As formações do Cretácico Inferior constituem, na nossa região, fontes importantes de recursos minerais, tais como, argilas comuns, caulino, areia, cascalho e água. Estes recursos são explorados desde há muito tempo para satisfazer as necessidades da indústria cerâmica, como as argilas comuns e o caulino, e água dos aquíferos para abastecer os furos que vão sendo feitos, cada vez com maior frequência na nossa região, devido ao aumento dos períodos de seca.

Uma sondagem, realizada por uma empresa contratada para a realização de um furo no espaço do Instituto, permitiu obter dados sobre as características hidrogeológicas locais para a elaboração de uma coluna litológica (fig. 2). A análise da coluna permite conhecer o subsolo até 168 metros de profundidade e identificar estratos constituídos por quatro tipos de materiais diferentes: argila, areia, cascão e greda, uma espécie de argila muito macia com grande capacidade de absorção.

No Cretácico Inferior é possível identificar três níveis argilosos que são designados por ritmos 1, 2 e 3. Os níveis argilosos localizados aos 13-37 metros e 71-83 metros correspondem, respectivamente, aos ritmos 1 e 2. A análise química das argilas (fig. 3) revela níveis mais elevados de sílica, óxidos de alumínio e ferro e a análise mineralógica (fig. 4) indica o predomínio de quartzo, caulinite, ilite e também alguma hematite e goetite.

O furo permite a captação de água a 142 metros de profundidade, para abastecimento da escola. A análise dos parâmetros físico-químicos, organolépticos e microbiológicos da água, à superfície (fig. 5) permite obter dados para comparação com os valores paramétricos da legislação em vigor para águas de consumo humano. A água que chega à superfície apresenta níveis elevados de alumínio e essencialmente de ferro (acima do valor paramétrico), o que torna a água imprópria para consumo humano. Para fazer o aproveitamento da água captada a escola optou por implementar um sistema de tratamento (fig. 6 e 7) que garantisse uma boa qualidade da água para alunos, professores e funcionários. O processo inclui filtração de sedimentos, desinfecção por UV e osmose inversa. O volume de água obtido é suficiente para satisfazer as necessidades da escola, durante todo o ano, tornando-a autónoma em relação aos serviços municipais de água.


O subsolo do espaço do Instituto Educativo do Juncal é constituído por argilas com quantidades variáveis de caulinite, ilite, hematite e goetite. As águas que constituem os aquíferos subterrâneos ao contactarem com vários níveis argilosos são enriquecidas, entre outros elementos, em ferro e alumínio, podendo também ser contaminadas por microorganismos. Como os níveis de ferro ultrapassam os limites impostos pela legislação foi necessário a escola recorrer a uma empresa para tratamento da água. O investimento efectuado pelo Instituto Educativo do Juncal tem-se revelado bastante vantajoso porque permite obter água em quantidade e com a qualidade desejável, através da diminuição do teor de certas substâncias, como o ferro e eliminação de microorganismos.

Fig. 6 – Fases de tratamento da água no Instituto Educativo do Juncal
Fig. 6 – Fases de tratamento da água no Instituto Educativo do Juncal

Tratamento da Água (fig. 6 e 7)

A- Filtração de sedimentos – A água proveniente do furo passa por um sistema de filtros que permite a retenção de partículas de maiores dimensões, tais como argilas e areias.
B- Desinfecção por UV – Os raios ultravioleta têm a capacidade de eliminar vários agentes patogénicos, tais como bactérias (99,9%), vírus (99,9%) e fungos (90%).
C- Osmose inversa – A purificação da água é feita por um processo físico, sem intervenção de compostos químicos, permitindo a correcção de sais e/ou desmineralização parcial. Este processo permite a remoção de alumínio (98 a 99%) e ferro (95 a 98%).

Fig. 7 – Fases de tratamento da água no Instituto Educativo do Juncal
Fig. 7 – Fases de tratamento da água no Instituto Educativo do Juncal

D- Armazenamento
E- Bombagem – A água tratada é armazenada em depósitos de grande capacidade e é bombeada até aos vários pontos de consumo da escola.

Bibliografia:
ADEPA. (2001). Roteiro Cultural de Região de Alcobaça – A Oeste da Serra dos Candeeiros. Câmara Municipal de Alcobaça. 215-235 pp. Portugal.
França, J.C. & Zbysewski, G.(1963). Notícia explicativa da folha 26-B – Alcobaça, da Carta Geológica de Portugal na escala de 1/50 000. Serviços Geológicos de Portugal. 17-25 pp.Lisboa.
Guilherme, J. M. H. L. (2004). Avaliação das potencialidades minerais da bacia Juncal-Cós e impacte ambiental das explorações. Universidade de Aveiro. 26-64 pp.

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