Impacte Ambiental das Explorações de Argilas no Sinclinal Alpedriz – Porto Carro (Sector Juncal – Cruz da Légua)

Guilherme, J.; Cipriano, D.; Santo, A.; Franco, F.; Marques, S.; Pereira, M.

Palavras-Chave: Impacte ambiental, exploração de argilas, Cretácico, Juncal, Cruz da Légua.

A realização deste trabalho tem como objectivo detectar os problemas causados pela exploração inadequada de argilas, verificar a evolução dos barreiros de argila da região (fig. 1) em causa e a preocupação das empresas para esta situação em que se encontram.

A área de explorações forma um sinclinal com orientação E-W que vai do Juncal (fig. 2) à Cruz da Légua com aproximadamente 3500 metros de comprimento e profundidade média de 440 metros. A zona em estudo encontra-se a Este do Juncal, onde existe um número elevado de antigas explorações que se encontram inactivas e/ou abandonadas. O abandono destas explorações causa diversos problemas ambientais e interfere negativamente com a segurança das populações.

O sinclinal Alpedriz – Porto Carro (fig. 3) constitui um importante centro de exploração de argilas, com relevância na indústria cerâmica estrutural a nível nacional. É constituído por três formações em série, o Jurássico Superior, o Cretácico Inferior e o Cretácico Superior (fig. 4). A análise do impacte ambiental das explorações de argila deste estudo incide principalmente sobre o Cretácico Inferior. O tecto da formação da zona em estudo corresponde ao Cretácico Superior constituído por uma alternância de calcários margosos e margas, com bancadas de calcários compactos. O muro corresponde ao Jurássico Superior que é constituído por grés, argilas de diversas cores e intercalações conglomeráticas. A base da formação do Cretácico Inferior é constituída por bancadas conglomeráticas de matiz argilosa que delimitam a formação com o Jurássico Superior. Apresenta em seguida uma alternância estratigráfica de níveis de grés anguloso e níveis de areias e siltes, começando e acabando nos primeiros.

Há alguns anos, a exploração destes depósitos foi realizada de maneira desenfreada, rápida e desordenada, sem consciência ambiental, originando vários problemas, principalmente a nível ambiental, ordenamento do território e social. Podemos então detectar alguns impactes negativos em diferentes meios. No ar, a concentração elevada de poeiras e níveis elevados de ruído causam danos na saúde pública, na vegetação, nas explorações agro-pecuárias e na fauna (fig. 5). Na água, há uma interferência exagerada no regime hidrogeológico e o rebaixamento abrupto do nível freático (fig. 6). No solo, existem misturas de materiais heterogéneos em aterros (fig. 7), a compactação por sobrecargas ou passagem de equipamentos pesados e a destruição de habitats e de espécies animais e vegetais (fig. 8). Também devido à devido à necessidade de uma superfície total muito grande, há a degradação da paisagem, sendo por isso inconfundível (fig. 9).

Para concluir, podemos então adoptar algumas medidas para minimizar o impacte ambiental negativo. Tais como: asfaltar as estradas; aspersar a água; proteger das cargas com coberturas e lavar sistematicamente o equipamento rolante; investir em instalações para a fragmentação e crivagem dos materiais, permitindo a recuperação das poeiras através de sistemas de filtragem; criar zonas de anti-fugas para armazenar os hidrocarbonetos e os seus desperdícios; pré-tratar a água residual antes da descarga; após a utilização do barreiro deve-se proceder à sua cobertura (fig. 10); realojar as espécies autóctones (carvalho português, azambujeiro, carrasco e murta) (fig. 11); e manter as barreiras físicas que se encontram junto às populações, minimizando o seu impacte (figs. 12 e 13).

Bibliografia:
Guilherme, Jorge (2004). Avaliação das potencialidades minerais da bacia Juncal – Cós e Impacte ambiental das explorações. Universidade de Aveiro, Departamento de Geociências.

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