Estudo do Impacte Ambiental da Exploração de Pedreiras no Parque Natural das Serras d’Aire e Candeeiros

Ferreira, S., Aurélio, J.; Mota, A.C.; Silva, F.P.; Silva, J.

Palavras-Chave: Impacte Ambiental, Exploração de pedreiras, Área protegida, Parque Natural, PNSAC

Em Portugal a exploração de pedreiras tem originado grandes extensões de áreas degradadas, cm grande impacto visual, e provocado alterações ambientais com repercussões ao nível da biodiversidade e dos ecossistemas. Muitas dessas explorações encontram-se em zonas de grande valor paisagístico e ecológico, com estatuto de áreas protegidas, como é o Parque Natural das Serras d’Aire e Candeeiros (PNSAC). O PNSAC, com uma área aproximada de 40 000 hectares, abrange três unidades morfológicas de altitude: o Planalto de Santo António, localizado a sul e centro do parque, a Serra dos Candeeiros, localizado a oeste, o Planalto de São Mamede, a norte, e a Serra e Aire, a leste, e corresponde a uma zona de alturas superiores a 200 metros, desenvolvendo-se entre os concelhos de Leiria, Rio Maior, Torres Novas e Tomar, aproximadamente a 30 km do litoral. O clima do Parque tem influências mediterrâneas e atlânticas. A sua diversidade biológica é sustentada pela existência de uma variedade de habitats: aquáticos, rochosos e os arrelvados calcícolas. O PNSAC tem como objectivos proteger o património natural existente, defender o património arquitectónico e cultural, promover o desenvolvimento das actividades artesanais e a renovação da economia local, promover o repouso e o recreio ao ar livre.

Nesta região, a extracção das rochas, e respectiva transformação, tem uma grande expressão económica, importante para o sustento das populações residentes e para a própria economia nacional, tendo vindo a aumentar nos últimos anos. Esta situação, contribui para a fixação da população, tem efeitos significativos na conservação, nomeadamente quanto ao património geológico, geomorfológico e à biodiversidade. Estudos realizados mostram que tem havido, de facto, a destruição de património geológico decorrente da actividade das pedreiras, como seria inevitável, não sendo, no entanto, possível avaliar, adequadamente, a dimensão e a relevância do património perdido. A exploração de pedreiras tem originado grandes áreas degradadas nas encostas das serras d’Aire e Candeeiros. Isto provoca alterações ambientais com repercussões ao nível da biodiversidade e dos ecossistemas, influenciando, também, as populações locais. Os dezanove habitats naturais que constituem o parque são refúgio de mamíferos, aves, répteis e anfíbios. Dentro dos mamíferos existem três espécies de morcegos, o Minopterus schreibersii, o Myotis emarginatus e o Rhinolophus euryale. Dentro das aves podemos encontrar uma grande diversidade, sendo estas as mais relevantes: a gralha-de-bico-vermelho e o bufo-real. Relativamente aos répteis, salientamos o fura-mato ou cobra-de-pernas-tridáctila, a víbora-cornuda e duas espécies de cobras de água. Finalmente, em relação aos anfíbios existem quatro espécies, em charcos temporários e lagoas, a salamandra-de-fogo, salamandra-de-costelas-salientes, tritão-mar-morado e sapo-de-unha-negra.

A flora do PNSAC é constituída por mais de 600 espécies vegetais, e muitas delas na se encontram em mais nenhum local. Dentro desta flora tão diversificada existem narcisos, alecrins, pimenteiras, carvalhos. Azinheiros, e vinte cinco espécies de orquídeas, entre outras. A maior parte da superfície do Parque é ocupada por matagais que servem como principal habitat de muitas espécies. Neste parque podemos ainda encontrar características do coberto vegetal primitivo, sob a forma de carvalhais, constituídos por carvalho-cerquinho.

Quanto à geologia, a rocha predominante é o calcário, sendo o parque a mais importante zona calcária de Portugal. Esta paisagem cársica é constituída por extensos campos de lapiás, um lugar repleto de rochas calcárias, sujeitas à meteorização pela água das chuvas, grandes áreas de dolinas e um grande número de grutas, destacando-se as grutas de Mira d’Aire, da Serra de Santo António e de Alvados, e extensos aquíferos drenados por nascentes importantes.

A exploração de pedreiras no PNSAC tem um grande impacte ambiental na qualidade do ar, pois provoca uma grande quantidade de poeiras no ar e ruídos, o que causa problemas ao nível da saúde pública (problemas respiratórios, oftalmológicos e alergias). Por sua vez, as poeiras contribuem para a destruição de habitats naturais e impede o desenvolvimento da flora, enquanto que o ruído provoca a migração de algumas espécies, enquanto que o ruído provoca a migração de algumas espécies da fauna do PNSAC. Ao nível da geologia, há uma instabilidade de taludes de escavações, pondo em causa a segurança das pessoas e dos materiais envolvidos nas explorações das pedreiras. Verifica-se ainda uma acentuada destruição do natural e construído, com um grande impacte visual.


Bibliografia

Burnie, D., Barcelona (1999). Plantas Silvestres del Mediterrâneo, Edições Ómega;
Martins, A., Coimbra (1949). Maciço Calcário Estremanho – Contribuição para um estudo de geografia física;
http://pt.wikipedia.org/wiki/serra_de_aire_e_candeeiros
http://cebv.fc.ul.pt/cienciaonline/revegetacaopedreiras.htm

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Comments
One Response to “Estudo do Impacte Ambiental da Exploração de Pedreiras no Parque Natural das Serras d’Aire e Candeeiros”
  1. Na minha opinião, seria bom publicar ou falar-se mais dos estudos de impacte ambiental na perspectiva de manter informado todos sobre as transformações que o mundo esta a ter.

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