Uniformitarismo ou Catastrofismo em S. Pedro de Moel?

Santos, C.; Bem, P.; Cordeiro, A.; Silva, S.; Virgílio, R.

Palavras-chave: Monumento Geológico, Jurássico, Fósseis, Geomorfologia, Uniformitarismo, Catastrofismo.

À primeira vista, ninguém imagina a riqueza do registo fóssil contido nas formações sedimentares que afloram um pouco por todo o país. As falésias e as arribas da nossa costa constituem importantes monumentos geológicos, fonte inesgotável de saber que, pouco a pouco, vão satisfazendo a curiosidade dos que as estudam e transmitindo informações preciosas para o conhecimento da História da Terra. É o que sucede com a região de S. Pedro de Moel, um dos locais emblemáticos de Portugal, onde se encontram afloramentos de grande interesse científico, pedagógico-didáctico e paisagístico.(fig.1) O seu valor geológico e paleontológico excede as fronteiras nacionais, na medida em que apresenta exemplos únicos da história geológica daquele compartimento temporal.(fig.2)

A região em estudo situa-se no litoral do distrito de Leiria, a norte da povoação de S. Pedro de Moel, próximo da Praia Velha. As coordenadas geográficas são: 39º 45’ 21,11’’ N e 9º 0,1’ 56,65’’ O. Esta região está situada na Orla Meso-Cenozóica Ocidental Portuguesa (Bacia Lusitânia), apresentando dois contextos geológicos e geomorfológicos bem distintos: o Jurássico de S. Pedro de Moel e a Cobertura Dunar Recente. A mancha Jurássica de S. Pedro de Moel estende-se por cerca de cinco quilómetros e inclui sucessões de rochas carbonatadas, incluindo margas, margas gipsíferas e betuminosas, calcários margosos e bioclásticos. Estas séries estão frequentemente afectadas por falhas de orientação E-W, assumindo uma estrutura que tende a mergulhar para Oriente. (fig. 3 e 4). Do ponto de vista paleontológico, o Jurássico Inferior de S. Pedro de Moel é caracterizado por uma associação de fósseis de invertebrados marinhos. Entre estes, encontram-se os braquiópodes, os moluscos e os equinodermes. Surgem ainda fosseis de peixes (actinopterígeos).(fig. 5,6, 7 e 8). Com base na informação recolhida é possível concluir-mos que a história geológica do local pode ser contada com o apoio das duas correntes de pensamento – uniformitarismo e catastrofismo – diríamos mesmo uma conjugação das duas – neocatastrofismo. A formação dos estratos é um processo geológico que ocorreu de forma lenta e gradual (uniformitarismo) enquanto que o fenómeno que levou à morte da elevada quantidade de organismos que se encontram fossilizados nessas mesmas camadas é de natureza catastrófica (catastrofismo). Isto porque pudemos observar um denso registo fossilífero, essencialmente conchas de bivalves, braquiópodes e algumas amonites e gastrópodes. No nosso entender este facto pode dever-se a uma alteração brusca das condições do meio.

Bibliografia:

http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%A1gina_principal
http://agvieiraleiria.ccems.pt/depciencias/geologia0405/index.htm

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Comments
5 Responses to “Uniformitarismo ou Catastrofismo em S. Pedro de Moel?”
  1. Joana Menezs diz:

    Obrigada pela elucidação! Moro na zona de São Pedro há mais de 30 anos e deparo-me com estes fosseis com frequência. No entanto, há uma área, a da Pedra do Ouro, que é completamente diferente em termos da formação rochosa. Há muitos anos que me pergunto o que aconteceu ali….Como leiga nesta ciência pergunto se não têm informação sobre esta zona.

    • Peço desculpa pela demora na resposta. É verdade que são ambientes geológicos diferentes, contudo do mesmo período (Jurássico Inferior, entre os 199 milhões de anos e os 175 milhões de anos) e da mesma bacia de sedimentação (Bacia Lusitânica). Em S. Pedro os sedimentos depositados pertencem a um antigo local exposta/coberta pela maré (denominada fácie perimarial). No caso da Pedra do Ouro correspondem a um local de máxima profundidade da bacia (fácie anóxica).
      Por volta da Primavera será publicado um artigo sobre a Bacia Lusitânica que está neste momento em construção.
      Sempre ao dispor
      O coordenador do blog
      Jorge Miguel Guilherme

  2. Igor diz:

    Venho por este meio informar que a localização geográfica não está correcta, a praia em questão encontra-se em Évora. cumprimentos, Doutor Igor

  3. Ana diz:

    Concordo com a resposta do Jorge Miguel Guilherme. Fico até bastante indignada com o comentário sem qualquer tipo de fudamento ou explicação.
    Aguem que assina como “Doutor” até o caracter põe em causa
    Ana Bareiris da Silva

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