As Salinas de Rio Maior – Do presente ao passado

Santos, C., Cardeira, C. M. J.; Feteiro, A. J. A.; Louro, D. C.; Moreira, A. R. C.; Neto, J. C. A.; Santos, I. L.

Palavras-chave: Salinas; Salgema; Paleoambiente; Parque Natural da Serra de Aire; Candeeiros; Vale Tifónico.

As salinas de Rio Maior localizam-se a 3 km de Rio Maior, em Marinhas do Sal, na zona sul da área protegida do Parque Natural das Serras d’Aire e Candeeiros, a 99 metros de altitude e ocupam uma área com cerca de 21 865 m2.Estas são as únicas salinas de interior em exploração em Portugal e são consideradas Património Cultural Português. As coordenadas geográficas são: 39º 21’ 50’’ N  e 8º 56’ 43’’ O (figura 1).

As salinas encaixam-se no Vale Tifónico, onde abundam rochas evaporíticas – salgema e gesso (Formação Margas da Dagorda) rodeadas por argilas e calcários. As rochas evaporíticas são pouco densas e apresentam um comportamento plástico, o que conjuntamente com a existência de um sistema de falhas permitiu o seu movimento ascensional – diapirismo – originando um vale (Vale Tifónico) (figura 2). A água salgada provém de um extenso e profundo filão de salgema, que é atravessado por uma corrente de água doce subterrânea, que se torna depois salgada (7 vezes mais salgada que a água do mar) e que termina num poço, na zona centro das salinas.

A existência de importantes acumulações de salgema, indica-nos que o paleoambiente de formação tinha características litorais (lagunas e planícies de inundação de marés), num clima quente e seco, muito propício à rápida evaporação (figura 3). Durante o Mesozóico, há cerca de 200 M.a., a sedimentação ocorria num ambiente de pouca profundidade, em lagoas alimentadas por águas marinhas dando lugar a alternâncias de argilas salgadas e salgema, sendo hoje em dia, estas argilas que separam o filão de salgema da superfície, servindo-lhe de protecção.

As salinas têm mais de 800 anos e foram exploradas por romanos e árabes. Desde 1979 são geridas pela Cooperativa Agrícola dos Produtores de Sal de Rio Maior, laborando de forma sazonal. Divididos por vários proprietários existem cerca de 400 compartimentos a que se dá o nome de “talhos” e 70 “esgoteiros”, talhos de maior profundidade que armazenam temporariamente água salgada para abastecer as salinas (figura 4). A água salgada que os alimenta, inicialmente retirada com uma picota e um balde, é actualmente bombeada, a partir de um poço central com 9 m de profundidade e 3,75 m de diâmetro. Na época estival a água salgada é encaminhada por regueiras para diferentes esgoteiros e daí para os diferentes talhões. No fim de evaporada a água, o sal puro (97,94% de cloreto de sódio), fica nos talhos e é depois retirado e levado, pelos salineiros, até aos armazéns da cooperativa, construídos em madeira para evitar a corrosão. Por ano, são recolhidas cerca de 1000t de sal que antes de embalado e comercializado, para toda a Europa, é escolhido grão a grão por funcionários, para satisfazer até os clientes mais exigentes (figuras 5 a 9).

O trabalho desenvolvido sobre as Salinas de Rio Maior deu-nos uma diferente percepção sobre o processo de formação e recolha de sal. Descobrimos o verdadeiro segredo das salinas sem mar – um subsolo rico em salgema permite a existência de água salgada à superfície e a precipitação de cloreto de sódio por evaporação da água, permite a obtenção de sal. Apercebemo-nos, também, que o sal até chegar às nossas casas, atravessa processos pouco complexos mas de longa duração. Devido às particularidades históricas, sociais, culturais, económicas e geológicas destas salinas é muito importante a sua preservação.

Bibliografia:
Pereira, C. G. et all (2001), Roteiro Cultural de Alcobaça – A oeste da Serra dos Candeeiros, Câmara Municipal de Alcobaça.
http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%A1gina_principal http://agvieiraleiria.ccems.pt/depciencias/geologia0405/index.htm http://maps.google.pt/

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