Caracterização dos recursos geológicos da pedreira da Cavada-Moleanos

Guilherme, J.; Ferreira, J., Franco, F., Loureiro, R., Marques, S., Paulino, M., Pereira, M.

Palavras-Chave: Maciço Calcário Estremenho, Extração de Calcários, “Vidraço de Moleanos”.

A área em estudo localiza-se no centro do país, no distrito de Leiria, concelho de Alcobaça, na freguesia de Prazeres de Aljubarrota, no lugar de Moleanos. É uma zona de elevada actividade explorativa de recursos minerais. Uma das grandes empresas da região é a Sousa & Catarino, Lda, sendo esta a empresa que vai servir de apoio ao nosso estudo dos recursos explorados. É uma empresa situada na principal região de extracção de Calcário (Serra d’Áire e Candeeiros) em terrenos do Jurássico, pertencentes ao Maciço Calcário Estremenho. Neste Maciço, com cerca de 900 km2 de área, afloram, fundamentalmente, rochas calcárias muito compactas e duras que se apresentam tectonicamente sobrelevadas relativamente às unidades geológicas enquadrantes. O trabalho consistiu em caracterizar as rochas extraídas pela pedreira e as aplicações das mesmas. (Fig. 1 e 2)

As rochas apresentam as seguintes características:

Moleanos Macio (Fig.3):

Tipo de Rocha: Calcário
Descrição Macroscópica: Calcário cinzento-esbranquiçado a creme claro, de tendência oolítica, calciclástico e bioclástico, com algumas pontuações escuras dispersas.
Utilizações Recomendadas: Revestimentos de paredes e pavimentos, de preferência interiores. Cantarias.
Características Físico-Mecânicas da Rocha:
Resistência mecânica à compressão: 917 kg/cm2
Resistência mecânica à compressão: 930 kg/cm2
Resistência mecânica à flexão: 144 kg/cm2
Massa volúmica aparente: 2478 kg/m3
Absorção de água à P.At. N.: 3,07 %
Porosidade aberta: 7,62 %
Coeficiente de dilatação linear térmica: 3,1 x 10-6 per ºC
Resistência ao desgaste: 3,5 mm
Resistência ao choque: altura mínima de queda: 35 – 40 cm

Azul Moleanos (Fig.4):

Tipo de Rocha: Calcário
Descrição Macroscópica: Calcário creme-acinzentado a azulado, grosseiramente calciclástico e bastante bioclástico, pouco oolítico e bastante bioclástico, com nódulos calcíticos e esparite abundante.
Utilizações Recomendadas: Revestimentos de paredes e pavimentos, de preferência interiores.
Características Físico-Mecânicas da Rocha:
Resistência mecânica à compressão: 1689 kg/cm2
Resistência mecânica à compressão: 1648 kg/cm2
Resistência mecânica à flexão: 209 kg/cm2
Massa volúmica aparente: 2647 kg/m3
Absorção de água à P.At. N.: 0,81 %
Porosidade aberta: 2,14 %
Coeficiente de dilatação linear térmica: 3,9 x 10-6 per ºC
Resistência ao desgaste: 3,7 mm
Resistência ao choque: altura mínima de queda: 25 cm

Moleanos Rijo (Fig.5):

Tipo de Rocha: Calcário
Descrição Macroscópica: Calcário de cor bege claro com leve tonalidade acinzentada, bioclástico e calciclástico, de tendência oolítica, com finas pontuações ou nódulos acastanhados dispersos e esparite abundante.
Utilizações Recomendadas: Interiores e exteriores. Cantarias.
Características Físico-Mecânicas da Rocha:
Resistência mecânica à compressão: 1552 kg/cm2
Resistência mecânica à compressão: 1566 kg/cm2
Resistência mecânica à flexão: 202 kg/cm2
Massa volúmica aparente: 2658 kg/m3
Absorção de água à P.At. N.: 0,64 %
Porosidade aberta: 1,7 %
Coeficiente de dilatação linear térmica: 3,3 x 10-6 per ºC
Resistência ao desgaste: 2 mm
Resistência ao choque: altura mínima de queda: 25 cm

As rochas exploradas são calcárias que revelam a presença de um litotipo que se enquadra no tipo comercial “vidraço de Moleanos”. (Fig. 6,7,8,9,10,11,12) Estas rochas são principalmente utilizadas para a pavimentação. Os blocos saem da pedreira em bruto directamente para o cliente (com dimensões comerciais), com destino a vários circuitos e canais de distribuição nacional e internacional.

Além disso, a empresa tem cuidado de aplicar medidas de recuperação paisagística e de minimização de perturbação na pedreira que visam a integração da área de intervenção do projecto na paisagem natural, em paralelo com o controlo das perturbações induzidas no meio ambiente local, de forma a serem gerados os menores impactes ambientais possíveis.

Bibliografia:

CATARINO, S. (2002/2003). Sousa & Catarino, Lda. On line: http://www.sousaecatarino.com/, (disponível em 10 de Fevereiro de 2008).

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Comments
4 Responses to “Caracterização dos recursos geológicos da pedreira da Cavada-Moleanos”
  1. Rui Teixeira diz:

    Existe algum motivo para estas pedreiras não serem re-qualificadas e re-florestadas?

    Estive a ler que há directivas comunitárias que obrigam os detentores destes espaços a iniciarem a reflorestação ainda nos anos de exploração (ao contrário do passado, em que a reflorestação era obrigatória apenas após o “fecho da pedreira”, o que na maioria dos casos conduzia ao abandono sem qualquer requalificação).

    Têm alguma ideia do que é feito nestas pedreiras e outros locais de extracção de minerais que estudaram?

    • Tal como está descrito no texto, esta é uma das empresa que faz a requalificação das suas pedreiras. Penso que não realizam a requalificação durante a exploração, mas sim após o fecho da pedreira.

      Nesta zona existem também explorações de argilas, tal como descrito em outros artigos do blogue. Aqui durante muitos anos nunca se realizou recuperação dessas explorações. Actualmente, apenas duas empresas (as de maior dimensão) realizam a recuperação das explorações actuais e das antigas. Muito continua por fazer e muitos atropelos ambientais e de exploração continuam a ser feitos.
      Disponível para qualquer esclarecimento adicional.
      Jorge Miguel Guilherme

  2. Rui Teixeira diz:

    A minha questão prende-se com o tipo de requalificação que é feita…
    Há recuperação paisagista, florestação, aproveitamento para utilização social, rural ou urbana?
    Estou a fazer um levantamento (chame-lhe Estudo de Mercado) para a abordagem empresarial da recuperação destes terrenos, e, por recuperação entenda-se a possibilidade de utilização rural (vinhas, pomares), urbana (parques florestais, merendas, áreas de manutenção) ou reflorestação pura com enriquecimento de solos e colocação de espécies autóctones.
    Que tipo de informação existe compilada sobre estas possibilidades?

  3. Fátima Leitão diz:

    Gostaria de saber se o moleanos rijo é indicado para revestimento de pavimento ao ar livre numa zona pública, por exemplo, um jardim? Obrigada.

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