Geo-Morfo-Eco-Logias: Os morcegos dos olhos de água do Alviela – Um dia de cabeça para baixo.

Santos, C.; Correia, P.; Hilário, M.; Jorge, A.; Marques, D.; Pereira, J.; Pereira, M.

Palavras-chave: Quiroptário; Quirópteros; Morcegos; Olhos de Água; Ecossistema.

Localizado na fronteira entre a Estremadura e o Ribatejo, o Centro Ciência Viva do Alviela – Carsoscópio – composto pelo Quiroptário, Climatógrafo e Geódromo – é um espaço interactivo onde a ciência e a tecnologia se aliam para proporcionar aos visitantes a compreensão de acontecimentos naturais, de uma forma estimulante e lúdica. A nossa eleição foi para o Quiroptário, que nos proporcionou momentos divertidos e de aprendizagem. A região em estudo situa-se na fronteira entre a Estremadura e o Ribatejo, no limite SE do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, no distrito de Santarém – Fig.1. As coordenadas geográficas desta gruta são as seguintes:
-39º26´43″N
– 8º 42′ 37″ W (fig. 1)

Na zona em estudo nas grutas onde se desenvolvem colónias de morcegos também desperta um desejo enorme de desvendar muitos dos seus mistérios. Em pleno Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, zona dominada pela presença da rocha calcária e onde os fenómenos geológicos criaram elementos geomorfológicos de rara beleza, surge a Nascente do Alviela. É justamente aqui, na gruta da Lapa da Canada (Olhos de Água do Alviela), que ocorre um conjunto muito particular de condições geológicas (rocha, fracturas, circulação de água) que criam a geomorfologia e o ambiente de escuridão, humidade e temperatura constante que sustentam um ecossistema com uma diversidade importante de flora e fauna – como as colónias de morcegos de 6 espécies diferentes que habitam constitui um dos maiores abrigos de criação a nível nacional, nomeadamente o Morcego-de-peluche (Miniopterus schreibersii) (fig.2), o Morcego-rato-grande (Myotis myotis) (fig.3), o Morcego-lanudo (Myotis emarginatus) (fig.5), o Morcego-de-ferradura-pequeno (Rhinolophus hipposideros) (fig.4), o Morcego-de-ferradura-mediterrânico (Rhinolophus euryale) (fig.6), e o Morcego-de-ferradura-grande (Rhinolophus ferrumequinum (fig.7). O peso destes mamíferos varia entre as 5 e as 40 gramas, comem por dia uma quantidade de insectos que corresponde a metade do seu peso, estão em risco de extinção, devido à acção humana, quanto mais compridas e estreitas forem as asas maior é a velocidade que estes adquirem durante o voo e as orelhas dos morcegos apresentam uma enorme variedade de formatos, o que é uma forma de diferenciação entre as varias espécies.

O Quiroptário é um conjunto de módulos interactivos sobre morcegos e que permite desfazer alguns dos mitos e lendas relacionados com estas espécies noctívagas, bem como conhecer melhor o seu modo de vida e as características que os tornam seres tão peculiares. Os morcegos, considerados por muitos prenúncios de morte, doença, azar, ou simples vampiros deambulando na noite, são na verdade animais de vida silenciosa e discreta. São fundamentais no equilíbrio dos ecossistemas, ao nível do controlo de presas e, à semelhança de outros animais, também eles estão em perigo de extinção.

O Quiroptário do Centro de Ciência Viva do Alviela é um espaço interactivo dedicado aos morcegos – Ordem Chiroptera. Os morcegos são os únicos mamíferos voadores, devido a possuírem membrana alar. Apresentam elevada capacidade de adaptação a qualquer ambiente e ampla variedade de hábitos alimentares, nunca vista em nenhuma outra ordem animal, pois podem alimentar-se de frutas, néctar, pólen, artrópodes, pequenos vertebrados e peixes e algumas espécies até de sangue. São animais gregários, vivem em colónias apinhados para conservar o calor e para se protegerem dos predadores – fig.8

Mas nada melhor para perceber estes mamíferos de duas asas do que viver algumas experiências únicas como ficar pendurado de cabeça para baixo, ver com os ouvidos, aumentar as orelhas para ouvir melhor ou partilhar um espaço ínfimo com mil acompanhantes. A protecção de habitats como esta gruta em que procriam seis espécies é fundamental para a preservação da biodiversidade.

Bibliografia:

http://www.hsu.edu/uploadedImages/Biology/keen%27s%20myotis.jpg




http://www.alviela.cienciaviva.pt/home/

Comments
2 Responses to “Geo-Morfo-Eco-Logias: Os morcegos dos olhos de água do Alviela – Um dia de cabeça para baixo.”
  1. Frederico Oliveira diz:

    Olá,

    Reparei que a Figura 2 está identificada como se tratasse de um indíviduo da espécie Miniopterus shreibersii , no entanto trata-se da espécie Barbastella barbastellus .

    Cumprimentos

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