Condicionantes Geológicas e Bioespeleologia – Ao encontro dos habitantes da escuridão

Santos, C.; Fino, C.; Santos, G.; Silva, B.; Vieira. A.

Palavras-chave: Bioespeleologia; Ecossistema cavernícola; Troglóbios; Troglóxenos; Troglófilos.

A Bioespeleologia é o ramo da Biologia que se dedica ao estudo dos seres vivos que ocorrem no ecossistema cavernícola. Ao viajar até à Fórnea, pode-se fazer um sinuoso e arriscado percurso pedestre, pelas encostas da Fórnea, até à lapa da Cova da Velha.

A Fórnea de Alvados é um espectacular anfiteatro com cerca de 1 km de diâmetro e 250 metros de altura (Figura 7) escavado nos calcários margosos, margas e calcários do Jurássico inferior e médio, ricos em fósseis de amonites e belemnites.

A área de estudo – Gruta Cova da Velha – localiza-se entre Chão das Pias e Zambujal de Alcaria a escassos quilómetros de Porto de Mós, em pleno Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros – Fig.1 e 2. As coordenadas geográficas são: 39º33’38’’N e 8º 48’ 55’’ O.

A Fórnea de Alvados é um espectacular anfiteatro com cerca de 1 km de diâmetro e 250 metros de altura (Figura 7) escavado nos calcários margosos, margas e calcários do Jurássico inferior e médio, ricos em fósseis de amonites e belemnites. A meia encosta, é possível visitar uma das nascentes mais elevadas, onde a água brota da gruta da Cova da Velha, apenas em algumas alturas do ano, o que felizmente não era o caso. Esta gruta, visitável na sua parte inicial, tem uma galeria rectilínea com cerca de meio quilómetro de extensão, desenvolvida ao longo de uma falha. (Figura 3 e 4).

O ambiente nestas cavidades é caracterizado pela ausência de luz, temperatura constante, alta humidade relativa do ar, substrato húmido e escassez de alimento. Após entrar no mundo da escuridão, na pele de espeleólogos amadores e de lanterna em punho, logo se descobre alguns habitantes cavernícolas. Estes habitantes apresentam características, adaptações e hábitos distintos e podem ser classificados em três categorias: troglóbios, são espécies restritas ao meio subterrâneo onde passam todo o seu ciclo de vida, resultando de um complexo processo de evolução. Salienta-se o Proteus anguinus, (Figura 6), um anfíbio endémico das grutas do sul da Europa, semelhante à salamandra, com 30 a 40 cm de cumprimento, é cego com os olhos recobertos por uma prega de pele; o olfacto e a audição encontram-se bastante desenvolvidos, pode ficar um ano sem se alimentar, no entanto, pode ter uma vida longa até 50 anos, apresenta hematose pulmonar, branquial e cutânea, tem a pele despigmentada e a transparência torna os órgãos visíveis, troglóxenos, são organismos que se encontram no ambiente subterrâneo, mas que saem regularmente para se alimentar, contudo não se afastam muito do seu meio a não ser que se façam acompanhar de grandes grupos. Estes organismos podem ser considerados como importadores de energia para os sistemas cavernosos. Exemplos destes seres são os morcegos (Figura 11), corujas e outras aves, como andorinhões, (Figura 8), e troglófilos, são animais que têm a capacidade de viver tanto fora como dentro do meio cavernícola. Estes seres são capacitados para viver toda a sua vida dentro das cavernas. Porém, isso não lhes impede que vivam igualmente bem no meio externo. Dentro dos troglófilos podemos observar os grilos, os besouros, as baratas, as aranhas (Figura 9), e os piolhos-de-cobra (Figura 10). Cada grupo adquiriu características especiais por evolução, ao longo do tempo, e condicionadas pelo meio onde estão inseridos.

Um ecossistema é um conjunto de seres vivos, adaptado a dadas condições físicas, e definido pelas interacções entre os seres vivos e entre estes e o meio físico. Apresentamos aqui um exemplo de como as condições geológicas são determinantes para a constituição de ecossistemas, e de que quanto mais extremas as condições geológicas, mais específicas se tornam as adaptações biológicas.

É possível descobrir que no interior das grutas se desenvolvem ecossistemas ultra-especializados, com alguma biodiversidade, sensíveis à pressão antrópica da exploração mineira e das visitas turísticas.

Bibliografia:

http://www.bambui.org.br/espeleo/main_espeleologia_bioespeleologia.htm
http:/www.spe.pt/espeleologia/Accoes-de-Divulgacao/Grutas-e-Nascentes-de-Porto-de-Mos.html
http://www.mapas.pai.pt/mapSearchLocation.ds#

Comments
5 Responses to “Condicionantes Geológicas e Bioespeleologia – Ao encontro dos habitantes da escuridão”
  1. Dário Chaves diz:

    Erro grave designar Fórnea de Alvados quando deveria ser Fórnea de Alcaria.

    • Realmente a designação correcta é Fórnea de Alcaria, mas com uma gravidade relativa, pois a Fórnea é um fenómeno de erosão regressiva da Costa de Alvados.

    • O erro não é grave! Digamos que foi usada uma designação incorrecta ou menos correcta e que deve ser corrigida. Mas devemos dizer que é grave, quandas as coisas são realmente graves. Não parace que seja aplicável a esta situação.
      Gabriel

  2. Não deixa de ser engraçado que no meio de 40.000 espécies de aranhas tenham arranjado uma foto de um opilião que não é uma aranha – para ilustrar o tema aranhas.
    “Os opiliões são inofensivos e caracterizam-se pelas pernas articuladas excepcionalmente longas em relação com o resto do corpo. Apesar das semelhanças superficiais com as aranhas, com as quais são geralmente confundidos, estes aracnídeos representam um grupo distinto.”

    Gabriel

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