Consequências do Diapirismo na Geomorfologia da região das Caldas da Rainha (Orla Meso-cenozóica ocidental)

Malhado, A.; Ferreira, M.G.; Marques, J.M.; Marques, T.V.S.

Palavras-chave: Vale tifónico; Diapirismo; Caldas da Rainha; Carta geológica; Geomorfologia.

Com este trabalho pretende-se estudar o contexto geológico do vale tifónico das Caldas da Rainha, nomeadamente o modo como o diapirismo influencia a geomorfologia da região, e desenvolver competências de análise de cartas geológicas.

A região em estudo inclui o vale tifónico das Caldas da Rainha, designação de carácter morfológico devida a Paul Choffat, em 1881-1882. Do ponto de vista tectónico, trata-se de um profundo fosso sinclinal onde as formações evaporíticas da base do Jurássico aí acumuladas, pouco densas e muito plásticas, sob a acção da pressão das rochas sobrejacentes, mais densas, e/ou da actuação de forças horizontais (orogénicas), ascenderam e apareceram ao longo das grandes fracturas que se formaram nos dois flancos do sinclinal, a Leste e Oeste. Este fenómeno, conhecido pela designação de “diapirismo” (fig.2), afectou também outras regiões da Orla Meso-Cenozóica Ocidental, como Leiria, Monte Real, São Pedro de Moel ou Soure, dando origem a estruturas evaporíticas. Por sua vez o vale tifónico é o resultado da erosão ocorrida sobre o sector formado pelos materiais evaporíticos menos resistentes. A continuação da actividade erosiva acabou por rebaixar a área que lhes corresponde, relativamente às formações envolventes, mais resistentes, dando origem à forma deprimida que facilitou o encaixe da rede fluvial. Correndo paralelamente à Serra dos Candeeiros, inclinado em sentido contrário, com uma orientação Nordeste – Sudoeste, e tendo por limites Nazaré e Olho Marinho, o vale é pontuado por regiões baixas de considerável extensão.

Uma vez que na Geologia de 10.º ano é abordado o tema: “A Geologia, os geólogos e os seus métodos – as rochas, arquivos que relatam a história da Terra” considerou-se importante efectuar uma análise em temos geológicos de uma região próxima da área da escola com características geológicas peculiares.

Para o desenvolvimento deste trabalho recorreremos a pesquisas bibliográficas, análise da carta geológica de Portugal na escala de 1/50 000 e levantamento fotográfico de algumas regiões do vale tifónico, aquando de uma saída de campo.

O diapirismo da região afectou muito a sua geomorfologia, pois formou um vale tifónico que percorre uma extensa área correndo paralelamente à Serra dos Candeeiros. Através de uma saída de campo conseguimos contemplar grande parte desse vale.

Bibliografia:

Almeida,C.; Gomes,A..J.; Jesus,M.R.; Mendonça,J.J.L. Sistemas aquiferos de Portugal Continental. Online:
http://snirh.inag.pt/snirh/download/aquiferos_PortugalCont/Ficha_O33.pdf (disponível em 4 de Março de 2009)
França, J. & Zbyszewski, G. (1963). Carta Geológica de Portugal, folha 26-B. Serviços Geológicos de Portugal, Lisboa, 41-42 pp.
http://portugalembrasil.weblog.com.pt/arquivo/256340.html (disponível em 21 de Fevereiro de 2009).

Comments
6 Responses to “Consequências do Diapirismo na Geomorfologia da região das Caldas da Rainha (Orla Meso-cenozóica ocidental)”
  1. Carlos Galhano diz:

    Dou os parabéns aos autores, no entanto fiquei com a ideia de que o artigo não se encontra aqui todo, de que isto é apenas um resumo. Será verdade?

    • Boa tarde,
      O Instituto Educativo do Juncal é uma escola do centro do país. Este é um blogue que apresenta pequenos artigos de pesquisa de Geologia, realizados por alunos do 10º ao 12º ano de escolaridade, sobre a região onde se insere a nossa escola. Pretende-se realizar artigos com pequenas “investigações” sobre a região, orientados por professores da escola (a 1ª pessoa do artigo). Por vezes, e devido às nossas limitações técnicas apenas se produzem revisões bibliográficas, outras vezes, conseguimos elaborar artigos com novos dados sobre a região. Todos os artigos apresentados são posters realizados pelos alunos que foram “transformados” em artigos para o blogue.
      O coordenador do blogue e do projecto,
      Jorge Miguel Guilherme

  2. ana mendes diz:

    Parabéns pelo trabalho. Também estou a leccionar Geologia de 12º ano e cheguei aqui porque andava a procurar informações sobre diapirismo. Os meus alunos estão a elaborar trabalhos sobre movimentos horizontais da litosfera. Como já não me lembrava bem do que era o diapirismo procurei e cheguei aqui.

    • Na Primavera serão publicados artigos, que virão complementar este, sobre o diapirismo e as nascentes termais das Caldas da Rainha, bem como uma retrospectiva da formação da Bacia Lusitânica.
      O coordenador do blog,
      Jorge Miguel Guilherme

  3. ana cristina diz:

    desculpe a pergunta um diápiro não é uma estrutura formada por um anticlinal?

    • Bom dia,
      Transcrevo parte do artigo de Jorge Dinis e Maria Vergínia Henriques sobre o fenómeno
      “A plataforma litoral da Estremadura é afectada por um sistema de estruturas diapíricas de orientação geral NNE-SSW, com troços de contorno irregular e limitadas por escarpas de falha. Deste sistema destaca-se a falha que origina o “Diapiro das Caldas da Rainha”, identificada entre Pombal e a Praia de Santa Cruz, com expressão geomorfológica particularmente clara entre a Nazaré, Serra d’El-Rei e Bolhos, numa faixa com cerca de 30 km de comprimento e 2 a 8 km de largura. A erosão do núcleo desta estrutura tectónica durante o Quaternário deu origem a uma depressão…”

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