Gruta Lagar do Pena – Uma viagem ao interior da Terra

Santos, C.; Carvalho, J.; Cordeiro, A.; Girão, R.; Raimundo, J.; Silva, J.

Palavras-chave: Algar; Gruta; Calcário; Espeleologia; Maciço Calcário Estremenho.

Para viajar até ao interior da Terra escolhemos o esburacado Maçico Calcário Estremenho, mais precisamente a Gruta do Algar do Pena, situada no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC), na localidade de Vale da Trave, freguesia de Alcanede no concelho e distrito de Santarém. Coordenadas de GPS são 39º 27’ 30’’ N e 8º 48’ 40’’. (Figura 1 e 6). A Gruta Algar do Pena é composta por um poço vertical com 35 metros – algar – que conduz a uma sala gigantesca – gruta – de 105 mil metros cúbicos (Figura 2 e 7). Descoberta em 1983, foi assim baptizada em honra ao seu descobridor, o Sr. Pena, que ali se dedicava a transformar blocos de calcário em pequenos cubos de calçada, uma das indústrias mais prósperas da região (Figura 3). Dessa vez a pólvora utilizada habitualmente para partir a rocha deu lugar à descoberta de um algar, com acesso a uma das mais espectaculares grutas que compõem o património geológico português.

Na sua historia geológica (Figura 8), a formação de calcários puros foi durante o Jurássico Médio, sob a influência de um ambiente tropical á 170-150 M.a. A formação de calcários argilosos durante o Jurássico Superior á 150-140 M.a. Os movimentos tectónicos associados a falhas – elevação de alguns blocos calcários – e acção erosiva permitiu a génese da gruta. Durante o Cenozóico a pluviosidade abundante e temperatura elevada favorecem a meteorização à superfície e o enriquecimento das águas que se infiltram em CaCO3.

A infiltração de água à superfície, através de fracturas, levou o Algar do Pena a ser um algar de dissolução dos calcários e originou uma abertura com desenvolvimento vertical, ou seja, tem a forma de um poço, derivando da dissolução do calcário na vertical. Em profundidade, devido às condições favoráveis para a precipitação do CaCO3, abre numa enorme gruta calcária com figuras cársicas de grande beleza – estalactites, estalagmites, colunas e bandeiras (Figura 4 e 5) – que em muito engrandecem a paisagem subterrânea.

Esta gruta, a maior gruta do país e uma das mais espectaculares da Europa, tem um centro de interpretação subterrâneo que constitui um dos melhores locais para conhecer o interior de grutas, através da espeleologia, que é uma actividade científica e/ou lúdica que se dedica ao estudo e exploração das cavidades naturais (tem uma temperatura Média – 13º/14ºC, Humidade Relativa – 99,8 % e Pressão ~1atm). O centro pretende também explicar os processos de formação das grutas, os mecanismos de circulação subterrânea das águas e os perigos a que este ambiente está sujeito. A gruta encontra-se fechada ao público e só abre para visitas de estudo e para investigação científica, no intuito de preservar o valioso património geológico e o ecossistema, de modo a que os impactes negativos resultantes do acesso ao público não se sobreponham aos proveitos retirados.

A pressão turística provoca um aumento do teor de CO2 e da temperatura, contaminando com fungos e bactérias exteriores. Assim, para preservar as maravilhas do algar, têm de existir períodos de repouso da gruta – e limitação do tempo de permanência dos visitantes na gruta – 30 minutos, uso de tapete de descontaminação, o uso de estruturas “transparentes”, em materiais não oxidáveis e removíveis – escadas e corrimão, o uso de uma área mínima dedicada à circulação de visitantes no interior da gruta – proibido tocar nos espeleotemas e o uso de um sistema de controle climático e monitorização.

Bibliografia:

http://www.lifecooler.com/Portugal/natureza/GrutaAlgardoPena
CISGAP
Google Earth/maps
http://www.wikipedia.org

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Comments
4 Responses to “Gruta Lagar do Pena – Uma viagem ao interior da Terra”
  1. Noémia Rodrigues diz:

    Já uma vez visitei esta gruta. fenomenal. Estou a pensar visitá-la de novo mas de uma forma diferente. Por cordas. Muito muito bonita. Aproveito para informar que é um passeio a recomendar, por ela e por tudo à sua volta. Leve a família e amigos, faça um piquenique, conviva com a Natureza e com quel lhe é mais querido. Dia memorável pode crer.

    • Cara Noémia Rodrigues,
      Agradeço o comentário e recomendo o percurso de cordas que já realizámos e é fantástico.
      O coordenador do blogue
      Jorge Miguel Guilherme

      • artur diz:

        Boa tarde
        Tenho de felicitá-lo, tem aqui uma excelente blog, estas iniciativas são sempre de louvar.
        Eu sou um aluno do 11º ano CT e tenho de fazer um relatório sobre este tipo de formações geológicas. Os nosso stores deram-nos umas breves introduções e as principais estruturas cársicas juntamente com uma pequena definição. Neste bolg falam das estalagmites, das estalactites, das colunas e das bandeiras, mas na folha dada pelo nosso stôr este ultimo nao aparece como sendo uma estrutura cársica, mas lembro-me de na nossa visita a senhora ter dito que uma estrutura tinha essa forma. Afinal trata-se de uma estrutura cársica ou de apenas uma forma? Será que poderia-me explicar se faz favor?
        Aguardo resposta
        Artur Alves

      • As estalactites, estalagmites, bandeiras ou cortinas, colunas são formas de reconstrução. As formas de reconstrução são ocorrências que conduzem o carbonato de cálcio, dissolvido na água sob a forma de bicarbonato, a reintegrar-se na massa calcária, precipitando-o em forma de concreções, no interior das cavernas, de uma forma muito mais pura do que a rocha que deu origem ao processo. No caso das bandeiras são formas de reconstrução parietais, ou seja, são criadas pela escorrência da água ao longo de paredes ou tectos inclinados. As estalactites, estalagmites e as colunas são formas de reconstrução pavimentárias
        Espero ter ajudado.
        O coordenador do blogue,
        Jorge Miguel Guilherme

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