Uma Viagem Geo-Aromática ao PNSAC- Odores da Fórnea

Santos, C.; Conceição, C., Jorge, G., Loureiro, C., Querido, C., Salgueiro, A.

Palavras-chave: Geomorfologia, plantas aromáticas, biodiversidade, Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros; Calcário.

A Fórnea situa-se no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, no Centro-Oeste de Portugal, próximo de Porto de Mós, entre Alcaria e Chão das Pias. O PNSAC ocupa uma superfície de 39 900 há, que se estende pelos concelhos de Rio Maior, Santarém, Alcanena, Ourém e Torres Novas, distrito de Santarém, e ainda os concelhos de Alcobaça e Porto de Mós, distrito de Leiria (fig.1). As coordenadas geográficas são: 39º 33’ 38’’ N e 8º 48’ 55’’ O.

Toda a área da Fórnea e do PNSAC encontra-se incluída no Maciço Calcário Estremenho, pertencente ao Mesozóico, sendo os seus constituintes geológicos principais maioritariamente do período Jurássico (fig.2). A Fórnea forma, assim, um magnífico anfiteatro natural de rocha calcária, com cerca de 500 metros de diâmetro e 250 metros de altura. O solo é maioritariamente constituído por rocha calcária que devido à erosão (carbonatação) forma depósitos de terra rossa, sobretudo em zonas de depressão. A água à superfície é quase inexistente devido à elevada fracturação da rocha, existindo por isso grandes reservatórios, mas subterrâneos. Um passeio num dia solarengo permitirá inebriar o sentido do olfacto de qualquer um, pela diversidade de odores que invade as encostas da Fórnea, provenientes das plantas aromáticas. Sentimos, assim, como um microclima resultante desta geomorfologia muito particular, e as características edáficas próprias dos terrenos calcário-argilosos se conjugam na perfeição para o florescimento de determinadas plantas.

As plantas aromáticas são espécies vegetais que produzem essências ou óleos aromáticos nas folhas, flores, frutos, cascas, raízes, seiva ou outras partes da planta. Esta característica faz delas um grupo de plantas muito atractivo em termos paisagísticos, económicos e culturais. As suas aplicações são tão diversas e vão desde essências para perfumes e cosméticos até condimentos para a gastronomia. Na Fórnea, destacamos como mais importantes o alecrim (fig.3), o rosmaninho (fig.4), a alfazema, os orégãos (fig.5), o tomilho (fig.6), a hortelã (fig.7) e o funcho (fig.8).

A preservação de espécies é um aspecto que, cada vez mais, deve ser tomado em consideração. Estas plantas são um factor muito relevante na riqueza paisagística, o seu conhecimento e utilização pertencem ao património cultural da região, podendo ser também fomentada a exploração económica desses recursos. Para assegurar a diversidade biológica é importante, neste caso, preservar plantas aromáticas, mas uma estratégia conservacionista tem que reconhecer as circunstâncias físicas (geológicas, geomorfológicas, edáficas e climáticas) que sustentam os ecossistemas e/ou áreas cuja relevância é tida.

Bibliografia:

http://portal.icnb.pt/ICNPortal/vPT2007-AP-SerraAiresCandeeiros/?res=1280×800
http://pt.wikipedia.org/wiki/Alecrim
http://pt.wikipedia.org/wiki/Funcho

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Comments
One Response to “Uma Viagem Geo-Aromática ao PNSAC- Odores da Fórnea”
  1. layza diz:

    e muito interessante

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