Caracterização Sísmica da Região de Leiria

Guilherme, J.; Ribeiro, S; Tomás, J.; Virgílio, J.

Palavras-chave: Leiria; Estrutura diapiríca; Sismicidade; Prevenção sísmica.

A cidade de Leiria fica situada na Estremadura Portuguesa, a 39º 47′ 37” 7” de latitude Norte, a 0º 18′ 8” de longitude Este e a 113m de altitude. Capital do distrito com o mesmo nome, é limitada a Norte pela freguesia de Marrazes, a Noroeste pela freguesia de Barosa, a Nordeste pela freguesia de Santa Eufénia, a Este pela freguesia de Pousos e a Sul pelas freguesias de Cortes, Azóia e Parceiros.

Geologicamente, a cidade de Leiria assenta sobre uma estrutura anticlinal diapiríca, de natureza salífera, alongada segundo NE-SW que se instalou ao longo do grande alinhamento estrutural Pombal-Leiria-Caldas da Rainha, de orientação geral NE-SW. Os flancos desta estrutura integram formações jurássicas, cretácicas e terciárias, afectadas de fortes pendores, especialmente no flanco ocidental, onde as camadas aparecem em posição vertical, ou mesmo, invertidas. Trata-se, pois, de um anticlinal de perfil assimétrico, que terá sofrido uma compressão de SE para NW. O início da sua formação remontará ao Jurássico Médio, mas o movimento das massas evaporíticas estender-se-à até ao Pliocénico, levando à deformação, por dobramento e falhamento, das formações envolventes. Associada a esta grande estrutura é possível encontrar falhas de direcção geral NE-SW e N-S, algumas geologicamente activas que já provocaram sismos de pequena magnitude.

O distrito de Leiria sofreu abalos sísmicos ao longo da sua história, cujas intensidades não ultrapassaram o grau VII-VIII na escala de Mercalli. Alguns destes sismos tiveram epicentro na região e terão sido causados pelos movimentos ao longo das falhas activas aqui existentes. Devido à grande solubilidade dos evaporitos, não será de excluir também a hipótese de alguns deles terem sido causados pelo colapso de cavidades. Outros sismos aqui sentidos tiveram os seus epicentros localizados fora do distrito, como é o caso dos sismos de 1755, com epicentro no mar, a SW de Portugal, e o sismo de Benavente de 1909, com epicentro no Vale Inferior do Tejo, ambos sentidos na cidade com intensidade de grau VII na escala de Mercalli.

De acordo com este contexto geológico, faz sentido proceder-se ao estudo do risco sísmico na cidade de Leiria. Para isso propõe-se: o levantamento de zonas de maior risco sísmico, através da identificação, caracterização e monitorização das principais falhas activas, de forma a conhecer o seu potencial

sismogénico; a elaboração de cartas isossistas, com base nos inquéritos existentes sobre os efeitos dos sismos sentidos na região; o reconhecimento do campo com o objectivo de identificar potenciais áreas com risco de movimentos de massa e de liquefacção de solos, em caso de sismos; o levantamento das edificações e avaliação do seu risco; a reabilitação de edifícios desprotegidos; a aplicação das normas de construção anti-sísmica; a preparação de equipas da protecção civil qualificadas para este efeito; a elaboração de acções de divulgação para sensibilização das populações para o fenómeno sísmico, a começar pelos mais pequenos.

Bibliografia:
http://www.meteo.pt
Serviços Geológicos de Portugal em 1992, 5ª Edição Carta Geológica de Portugal à escala 1:500000.

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