Património Paleontológico da Região do Juncal

Guilherme, J.; Ribeiro, S.; Tomás, J.; Virgílio, J.

Palavras-chave: Património paleontológico; Cretácico.

A área em estudo localiza-se no centro do país, no distrito de Leiria, concelho de Porto de Mós, na freguesia de Juncal (fig. 1 e 2).

Esta área forma um sinclinal com orientação E-W que vai do Juncal à Cruz da Légua com aproximadamente 3500 metros de comprimento e profundidade média de 440 metros (fig. 3). A zona em estudo é constituída por uma série de três Formações, representativas de parte do Jurássico Superior, Cretácico Inferior e Cretácico Superior. O estudo e a recolha de vestígios paleontológicos incidiram principalmente em terrenos do Cretácico. O tecto da Formação da zona em estudo corresponde ao Cretácico Superior, constituído por uma alternância de calcários margosos e margas, com bancadas de calcários compactos. O muro corresponde ao Jurássico Superior que é constituído por grés, argilas de diversas cores e intercalações conglomeráticas. A base da formação do Cretácico Inferior é constituída por bancadas conglomeráticas de matriz argilosa que delimitam a formação com o Jurássico Superior. Apresenta em seguida uma alternância estratigráfica de níveis de grés imaturo e níveis de areias e siltes, começando e acabando nos primeiros.

Genericamente, o clima no Cretácico, tal como no Jurássico e no Triássico, terá sido bastante mais quente do que o actual. As condições climáticas amenas existentes no Cretácico eram, em parte, devidas à grande quantidade de mares pouco profundos então existentes. A água quente das regiões equatoriais era transportada para latitudes mais altas aquecendo as regiões polares. A existência destes mares pouco profundos deve-se não só às fases juvenis de abertura dos oceanos, mas também ao facto do nível eustático (do mar) ser 100 a 200 metros superior ao actual (existência de poucas calotes glaciares e a temperatura das águas era superior).

Neste local (fig. 9 e 10) encontrámos fósseis da classe Bivalvia, entre os quais se incluem ostras (fig. 4 e 5) (Girostrea, Ceratostreon, Rhynchostreon) e rudistas (fig.7) (Caprinula, Radiolites e Sauvagesia).

Esta classe pertence ao filo Mollusca que inclui os animais aquáticos geralmente designados por bivalves (fig.6 e 8). Estes organismos caracterizam-se pela presença de uma concha carbonatada formada por duas valvas que protegem o corpo do molusco.

Os bivalves são um grupo extremamente bem sucedido e diversificado. São animais exclusivamente aquáticos, mas podem ocorrer em ambientes de salinidade diversa como água salgada, doce ou salobra. A maioria das espécies é bentónica e vive junto ao fundo do mar.


Bibliografia:

FRANÇA, J. & ZBYSZEWSKI, G. (1963) Noticia Explicativa da folha 26-B – Alcobaça, da Carta Geológica de Portugal na escala de 1/50 000. Serviços Geológicos de Portugal. 51 p. Lisboa.

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