Caracterização Hidrográfica da Bacia do Rio Lis

Guilherme, J.; Alexandre, A.; Jesus, S.

Palavras-chave: Bacia hidrográfica; Rio Lis.

A bacia hidrográfica do rio Lis (figura 1) localiza-se no distrito de Leiria, no centro de Portugal. A sua nascente é no Lugar das Fontes e a foz em Vieira de Leiria. Este, passa na Serra de Aire e na Serra da Andorinha e nas povoações de Coimbrão, Cortes, Leiria, Marrazes, Monte Real, Monte Redondo, Ortigosa, Pousos, Regueira de Pontes e Carreira (figura 2).

Na área abrangida pelo Plano de Bacia Hidrográfica do rio Lis, e segundo a Associação de Regantes e Beneficiários do Vale do Lis, estão projectados 26 açudes (figura 3), dos quais 19 estão em funcionamento, e destes 5 encontram-se no rio Lis. Estes encontram-se em Arrabalde, Necessidades, Salgadas, Plátano e Turismo.

A bacia hidrográfica do Lis, geologicamente, desenvolve-se principalmente em terrenos constituídos por arenitos, conglomerados, calcários dolomíticos e margosos, areias, cascalheiras, arenitos pouco consolidados e argilas.

Em 1999, em termos energéticos, a bacia hidrográfica do rio Lis era uma das bacias portuguesas com maior utilização de recursos hídricos, principalmente, energia hidroeléctrica com uma produção média anual de 360 GWh.

Cerca de 90% dos danos resultantes de desastres naturais gerais são causados pelas cheias e escoamentos de água associados. Quando a precipitação é intensa, a água da chuva dirige-se para os regos ou riachos habitualmente secos. Em períodos de inundação urbana, as ruas podem transformar-se em rios muito rápidos e caves e viadutos transformam-se em armadilhas quando se enchem de água (figura 4). Estas chuvas repentinas e inesperadas provocam danos ambientais graves, como deslizamentos de terra, destruição da vegetação e transbordo da água nos rios (figura 5). Estas chuvas fazem fazer rodar pedregulhos, destruir edifícios e pontes e originar novos percursos. Podem resultar consequências catastróficas.

Os factores que contribuem para a ocorrência de cheias são a intensidade da precipitação e a sua duração. As últimas cheias na cidade de Leiria reorganizaram o debate em torno dos problemas ambientais e de gestão da água, associados à falta de limpeza do rio e de ordenamento do território.

As inundações na bacia do rio Lis resultam dos seguintes dos seguintes actos:
• A bacia hidrográfica do rio Lis, outrora coberta de bosques e matos, foi sendo progressivamente desbravada e arroteada para utilização agrícola;
• A erosão dos terrenos marginais aos tributários do Lis foi crescendo e alargando-se às encostas dos terrenos desnudados, ocorrendo, em simultâneo, assoreamento dos vales;
• Com a erosão das encostas e assoreamento dos leitos começaram a ocorrer cheias nas planícies, verificando-se inconsequentes os inúmeros trabalhos e obras de protecção levados a cabo no leito do rio
• As cheias fluviais progressivas, as tempestades, as inundações rápidas, incluindo torrentes de lama e o colapso de diques ou barragens.

Para prevenir estas cheias deve-se proceder a medidas preventivas, como, a limpeza do rio Lis, que deve ser feita várias vezes por ano, sobretudo antes de fortes chuvas, a reflorestação de áreas devastadas pelos incêndios, principalmente em zonas marginais ao rio, e a não ocupação dos leitos de cheia.

A valorização ambiental e patrimonial dos recursos hídricos deverá basear-se no ordenamento das utilizações da água e dos meios hídricos, que constitui um dos vectores fundamentais do planeamento dos recursos hídricos.

O problema mais premente a resolver é a precariedade dos sistemas de abastecimento de água a alguns concelhos da zona média e alta da bacia hidrográfica do Lis, apesar da existência de recursos hídricos e origens fiáveis nas regiões onde se inserem. Um outro grave problema que afecta o curso de água é a poluição que advém da falta de efluentes provenientes da suinicultura. O curso de água torna-se poluente e a escassez de água potável o que pode resultar daí consequências graves para a população.


Bibliografia:

· PBH do Rio Lis – Usos e Ocupações do Domínio Hídrico (data 30/06/99)
· PBH do Rio Lis – 1ª Fase – Análise e Diagnóstico da Situação Actual: Volume II – Enquadramento (data 8/08/99)
·RISCOS NATURAIS – J M Miranda, M A Baptista – Instituto Dom Luiz
· Jornal Região de Leiria

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