Nascentes de Chiqueda: Exsurgências Cársicas

Santos, C.; Almeida, M. M. F.; Almeida, R .C.; Monteiro, F. M. F.; Silva, B. F. F.; Pereira, J.P. M.

Estarão as Nascentes de Chiqueda relacionadas com o Sistema Aquífero do Maciço Calcário Estremenho? Esta questão foi o ponto de partida e o presente trabalho tem como objectivo fazer uma caracterização hidro-geológica e historico-cultural das Nascentes de Chiqueda. A metodologia usada neste trabalho consistiu na realização de uma saída de campo à localidade de Chiqueda de modo a identificar as nascentes, fazer uma recolha fotográfica e realizar algumas questões a habitantes locais; procedeu-se também a pesquisa bibliográfica em bibliotecas locais. O Maciço Calcário Estremenho, situado entre Rio Maior, Tomar e Leiria, é um grande bloco elevado por compressão durante o Miocénico, delimitado por falhas e essencialmente composto por calcários jurássicos. A carsificação do Maciço é intensa, apesar de corresponder a um carso jovem, podendo ser identificados campos de lapiás, dolinas e uvalas (exocarso) e algares, galerias e condutas (endocarso). Com aproximadamente 800 km2 de recarga, o Maciço apresenta uma drenagem superficial quase inexistente, devido aos fenómenos de carsificação. Os cinco conjuntos principais de nascentes ou exsurgências estão localizadas nos limites do Maciço, na zona de contacto com rochas menos permeáveis do Jurássico, Cretácico ou Terciário; dois destes conjuntos situam-se no bordo oeste – o do Liz e o de Chiqueda. Encaixado no mesmo calcário de que é feita a Serra dos Candeeiros, o Vale da Ribeira do Mogo é um vale apertado esboçado na depressão da Ataíja, que se estende  paralelamente à Serra dos Candeeiros, desde a freguesia de Pedreiras até Chiqueda, ao longo de mais de dez quilómetros. O Vale da Ribeira do Mogo é afunilado e sinuoso, revelando a graça da meteorização e erosão sobre as formações calcárias. As chuvas de drenagem superficial de Inverno fazem renascer a Ribeira do Mogo e trazem uma explosão de biodiversidade ao Vale. À medida que o ano avança e as chuvas desaparecem, os cursos de água do Vale vão secando com a excepção de algumas exsurgências permanentes.As nascentes de Chiqueda que escoam as águas infiltradas na Serra dos Candeeiros, denominam-se por exsurgências. As águas que surgem nestas exsurgências têm provável origem nas infiltrações nos lapiás da Serra dos Candeeiros, mas também em sumidouros existentes na zona envolvente, conforme foi comprovado por experiências de traçagem da circulação subterrânea com corantes fluorescentes. O caudal destas nascentes constitui mais a jusante o Rio Alcoa, que alcança a cidade de Alcobaça a escassos 7 km. O rio mantém  o nome de Alcoa, embora exista uma confluência dos rios Alcoa e Baça em Alcobaça, no seu restante  caminho de 12 km até ao mar, desaguando a sul da Nazaré, no Atlântico. Como principais exsurgências salientam-se: Poço Suão(Ão): gruta-nascente temporária que alimenta o Rio Alcoa; de acordo com a população local o termo resulta do som que ecoa pelo vale quando esta nascente rebenta e passa a debitar grande quantidade de água na Ribeira do Mogo; existe captação e condutas subterrâneas que abastecem a população local;

Olho Mãe de Água: nascente permanente de águas profundas a temperatura mais elevada e com maiores concentrações em sulfatos, cloretos, cálcio e sódio; parte de água, através de conduta própria, é conduzida até à cozinha do Mosteiro de Alcobaça (canalização construída pelos Monges de Cister);

Olhos de Água de Chiqueda: corresponde a três nascentes permanentes principais relativamente próximas; nestas nascentes é feita captação de água para abastecimento das populações locais;

Olhos Fróis: nascente temporária no Vale do Mogo. Da realização do trabalho concluímos que a drenagem do sector da Serra dos Candeeiros e Plataforma de Aljubarrota se faz para oeste, com exsurgências na zona de Chiqueda. Aqui existem várias nascentes, perenes e temporárias, situadas perto do contacto entre os calcários das Camadas de Montejunto e os calcários margosos e margas das Camadas de Alcobaça. As várias nascentes localizam-se todas relativamente perto umas das outras: Olhos de Água de Chiqueda, três nascentes permanentes, Olhos Fróis e Poço Suão (Ão) temporárias. Há ainda a registar o Olho Mãe de Água, uma nascente de águas profundas com características especiais e a Ribeira do Mogo que resulta de escorrência superficial em épocas de chuva abundante.

Bibliografia:

Pereira, C. G. et all (2001), Roteiro Cultural de Alcobaça – A oeste da Serra dos Candeeiros, Câmara Municipal de Alcobaça.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Alcoa
http://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Ba%C3%A7a
http://terradepaixao.blogspot.com/2010/02/ribeira-do-vale-do-mogo.html
http://www.jf-aljubarrota.pt/Prazeres/localidades/pa_localidades_chiqueda.htm
http://www.spe.pt/espeleologia/epe-dep-de-ensino-mainmenu-70/accoes-de-divulgacao/176-da-arriba-fossil-da-serra-dos-candeeiros-as-grutas-e-nascentes-de-chiqueda

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