Ecopercurso: Rota do carvão na serra dos candeeiros

Santos, C.; Baptista, T. P.; Fino, F. P.; Marques, R. F.; Oliveira, C.A.; Vitorino, B. J.

Situada na Serra da Pevide/dos Candeeiros, as Minas da Bezerra são um ponto de interesse geológico, paisagístico e cultural para a comunidade. Por essa razão decidimos aventurarmo-nos pelo trilho de uma antiga linha de caminho-de-ferro ao longo da serra, o túnel da Corredoura e antiga Central Termoeléctrica de Porto de Mós, na nossa saída de campo. Aqui deixamos uma proposta de percurso pedestre ou de bicicleta com destaque para o melhor que o percurso tem para mostrar. Esperamos que aprendam tanto como nós aprendemos e que desfrutem deste Ecopercurso que começa agora. Este Ecopercurso, com cerca de 7km de comprimento, situa-se na Serra da Pevide e tem por base parte do antigo caminho-de-ferro mineiro do Lena, com início na Mina da Bezerra e termina na Central Termo-eléctrica em Porto de Mós. O trilho tem um grau de dificuldade médio, decorre essencialmente em caminho de pedra solta e tem uma duração aproximada de 4 horas. Coordenadas GPS do início do percurso: 39º33’01,34’’N; 8º50’38,36’’W

A Serra da Pevide pertence à Orla Meso-Cenozóica, de ambiente sedimentar, formada essencialmente por calcários jurássicos, nos quais é visível importante carsificação. A serra constitui um anticlinal que domina a paisagem correspondendo a um ambiente montanhoso, de aspecto seco e agreste com reduzida vegetação. A vertente Este da serra é marcada pelo Vale Diapírico de Porto de Mós/Rio Maior, com sedimentos detrítico-evaporíticos do Hetangiano, onde se destacam morros que correspondem a intrusões doleríticas, como o Morro do Castelo. Associada à Serra da Pevide existem outras Unidades Geomorfológicas como o Planalto de S. Mamede e o Planalto de Santo António, aqui bem visíveis  (Figura 1). A partir  da década de 40, do século XVIII,  a exploração mineira das minas da Bezerra trouxeram para a região de Porto de Mós um grande desenvolvimento, não só pelo número de postos de trabalho que se criaram, como também por terem permitido um melhor nível de vida àqueles, que vivendo à sombra do velho Castelo, se entregavam aos trabalhos agrícolas, dado que, ao contrário de outras vilas circunvizinhas, não havia tradição industrial. Estas minas transmitiram à região um período de segurança socio-económica. Com a exploração mineira foi construído um caminho-de-ferro, que assegurava o contacto permanente entre as populações e o transporte do carvão. A região de Porto de Mós ficara também mais rica na sua cultura já que desta exploração surgiram investimentos que trouxeram actividades de lazer como cinema, futebol, entre outros. A exploração mineira terminou por volta de 1948, por esgotamento do recurso mineral.

Minas da Bezerra (figura 3) : Esta mina foi aberta em 1924 e encerrou em 1948. Das 6 minas da região de Porto de Mós, esta era a que detinha o melhor carvão, uma lenhite de formação antiga, sendo enviada para as cimenteiras de Maceira/Leiria e Alhandra. Ainda hoje é possível recolher à porta da Mina algumas amostras deste carvão.

Caminho-de-Ferro do Lena (figura 4) : Linha Martingança/Porto de Mós/ Bezerra com uma extensão de 32km, teve muita importância, para o desenvolvimento económico da região, já que, servia para o transporte de passageiros, de carvão (permitindo um maior e mais rápido escoamento de carvão) e transporte de mercadorias da região (vinho e madeiras).

Túnel da Corredoura (figura 5) : A construção deste túnel de forma redonda deu-se em 1926. A sua existência possibilitava que o comboio virasse 90º sem descarrilar, permitindo uma descida rápida e segura pela Serra da Pevide. Uma parte do túnel já abateu, ainda assim é possível observar vestígios da passagem de locomotivas.

Pedreira das Mós

Na serra é possível observar uma pedreira de calcários conglomeráticos  utilizados  na construção de mós, devido às faces angulosas dos clastos, actualmente é explorada como britadeira.

Moinhos de Vento (figura 6) : Estas estruturas tinham como função, através do aproveitamento da abundante energia eólica da nossa região, moer o trigo para fabricar farinha. Um dos moinhos ainda se mantém bem preservado e por vezes mantém-se a funcionar.

Central Termo-eléctrica (figura 7) : Construída por volta de 1933, era abastecida principalmente pelo carvão das Minas da Bezerra, mas também pelo das Minas da Barrojeiras e fornecia electricidade ao concelho de Porto de Mós e a outros próximos como Marinha Grande, Batalha, Alcobaça, Nazaré, Peniche, Caldas da Rainha, Óbidos, Rio Maior, Lourinhã, Cadaval e Bombarral. Por dia eram transportados para a central cerca de 30 a 40 toneladas de carvão para produzir uma energia de 1250 kW/h. A central e a torre de arrefecimento, ainda existentes, encontram-se muito degradas.

O trilho que percorremos permitiu-nos entrar na história desta rota que outrora fora tão importante para o nosso concelho. Ao longo do tempo, infelizmente, este património regional tem sido degradado e desvalorizado, como se pode verificar pelo edifício em ruínas da Central Termo-eléctrica. Queremos deixar um apelo aos responsáveis locais e nacionais para a recuperação e divulgação deste património através da criação do Ecopercurso – Rota do Carvão e/ou valorização do património paisagístico, geológico, histórico e cultural  nos percursos existentes e para a criação de um centro de interpretação deste percurso na antiga central. Por fim, incentivamos também, todos os que lerem este trabalho, a percorrer este magnífico trajecto e desfrutar de uma excelente paisagem e do ar puro da serra.

Bibliografia :

-BRANDÃO, J.M. e ALMEIDA, J.P. (2006) – Documentos para a história do caminho de ferro mineiro do Lena (Leiria, Portugal). Cadernos del Museo Geominero, 6, p. 179-190. Instituto Geológico y Minero de España.
– SILVA, H.E.(2007). O Couto Mineiro do Lena – histórias e memórias. Editora Almondinha.
-BRANDÃO, J.M. (2008) – Historiografia mineira. Contribuição para o estabelecimento de uma cronologia de factos relevantes na vida das minas de lignite de Alcanadas e Chão Preto, Património geológico, arqueológico e mineiro em regiões cársicas. Actas do Simpósio Ibero-americano. SEDPGYM.
-VIEIRA, A. (2006). Especial Caminho de ferro. – Edição nº192, Julho de 2006
– Online: http://www.jornaldabatalha.pt

Eco Route: Route Coal in Serra dos Candeeiros

Situated in Serra da Pevide/dos Candeeiros, the Mines of Bezerra is a point of geological, scenic and cultural interest for the community. For this reason we decided to venture out on the trail of an ancient line of road-rail along the mountain, the tunnel of Corredoura and old Power Station of Porto de Mós, in our field trip. Here we propose a pedestrian or cycling course with emphasis on the best that the course has to show. We hope that you learn as much as we learn and enjoy this Eco route that begins now. This Eco route, about 7 km long, is located in the Serra da Pevide and is based on part of the old railway of Lena, beginning in the Mine of Bezerra and ending in Central Thermo-electric in Porto de Mos. The track has an average degree of difficulty, follows mainly on track of loose rock and lasts approximately 4 hours. GPS coordinates of the start of the route: 39 º 33’01, 34” N, 8 ° 50’38, 36” W
The Serra da Pevide belongs to the Meso-Cenozoic Orla, of sedimentary environment, essentially formed by Jurassic limestone, in which is visible important carsification. The mountain is an anticline that dominates the landscape corresponding to a mountain environment, looking dry and harsh with little vegetation. The slope east of this mountain is marked by Diapírico Valley of Porto de Mós / Rio Maior, with detrital-evaporitic sediments of the Hettangian, where hills stand out that correspond to doleritics intrusions, as the Castle Hill. Linked to the Serra da Pevide there are other geomorphological units as the Plateau of S. Mamede and the Plateau of Santo António, here clearly visible (Figure 1). From the decade of 40 of the eighteenth century, mining mines of Bezerra brought to the region of Porto de Mós a great development, not only by the number of jobs that were created, but also for allowing a higher level of life for those who live in the shadow of the old castle, surrendered themselves to agricultural work, since, unlike other surrounding villages, there was no industrial tradition. These mines allowed to the region a period of socio-economic security. With mining a railway was built, which ensured the continuous contact between people and the transportation of coal. The region of Porto de Mós had been also richer in its culture as it emerged from this exploration investments that brought leisure activities such as cinema, football, among others. The mining ended around 1948, by depletion of the mineral resource.
Mines of Bezerra (Figure 3): This mine was opened in 1924 and closed in 1948. Of the six mines in the region of Porto de Mós, this was the one who had the best coal, a lignite of old formation, being sent to the cement factories of Maceira / Leiria and Alhandra. Still today it is possible to collect at the door of the mine some samples of this coal.
Lena railway (Figure 4): Martingança / Porto de Mós / Bezerra line, with a length of 32km, had great importance for the region’s economic development, since it served to passenger and coal transport (allowing a greater and faster removal of coal) and transport of goods of the region (wine and wood).
Tunnel of Corredoura (Figure 5): The construction of this tunnel with round shape was done in 1926. Its existence allowed the train to turn 90 °without derailing, allowing a safe and fast descent by the Serra da Pevide. A portion of the tunnel has struck, but is still possible to see traces of passing of locomotives.
Quarry of Mós
In the mountain is possible to observe a quarry of conglomeratic limestone used in the construction of grinding stones, due to the angular faces of clasts, is currently operated as a jackhammer.
Windmills (Figure 6): These structures had as its objective to take advantage of the abundant wind energy in our region, grind wheat to make flour. One of the mills is still preserved and sometimes remains in operation.
Central Thermo-electric (figure 7): Built around 1933, was fueled primarily by coal  from Mines of Bezerra, but also by the coal from Mines of Barrojeiras and provided electricity to the municipality of Porto de Mós and others close, as Marinha Grande, Batalha, Alcobaça, Nazaré, Peniche, Caldas da Rainha, Óbidos, Rio Maior, Lourinhã, Cadaval and Bombarral. Per day were carried to the central about 30-40 tons of coal to produce a power of 1250 kW / h. The plant and the cooling tower still exist, but are much degraded.
The track we have traveled has enabled us to enter the history of this route that was once so important to our region. Over time, unfortunately, this regional heritage has been degraded and devalued, as can be seen from the ruined building of Central Thermo-electric. We want to make an appeal to local and national authorities for the recovery and for the dissemination of this heritage, through the creation of Eco route – Coal route and / or enhancement of the landscape, geological, historical and cultural routes that exist and the creation of an interpretation center of this route in the old Central. Finally, also encourage all who read this work, to travel this magnificent route and enjoy a great scenery and pure mountain air.

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