Condicionalismos Geológicos no desenvolvimento de cidade: o caso das Caldas da Rainha

Guilherme, J.; Conceição, R.; Peralta, T.

Objectivo: Estudar a evolução das populações (humana) associada à variabilidade das disponibilidades hídricas superficiais e subterrâneas.

Enquadramento geológico.
A região onde se encontram as nascentes termais de Caldas da Rainha (Figura 1 e 2) enquadram-se no vale tifónico de Caldas da Rainha, de orientação geral NNE-SSW, resultante da actividade tectónica da falha das Caldas da Rainha. A estrutura tem manifestações na geomorfologia actual resultantes da movimentação de materiais argilo-evaporíticos em grande parte do seu traçado, conjugada com falhas tranversais N-S a WNW, desenvolvendo a sul um acentuado vale tifónico.

Enquadramento histórico.
Nascidas das águas, a cidade das Caldas da Rainha floresceu graças a um hospital (Figura 4), criado em 1485. A cidade das Caldas da Rainha, na região Centro, no distrito de Leiria e pertence ao município com o mesmo nome, onde a presença humana tem raízes longínquas. Esta região foi habitada pelos romanos, confirmada esta presença pelos vestígios arqueológicos encontrados da cidade de Eburobrittium, que deixaram as suas marcas e exploraram as águas sulfurosas existentes. Inicialmente, as caldas de Óbidos eram frequentadas por leprosos e doentes reumáticos. Em 1485, a Rainha D. Leonor fundou o Hospital Termal das Caldas da Rainha (Figura 6), com o objectivo de dar assistência a todos os pobres e enfermos do país. É considerado por isso o primeiro Hospital Termal do Mundo. O aparecimento desta instituição assistencial deu origem a uma nova povoação – as Caldas da Rainha, a que D. Manuel concedeu o título de vila em 1511.

As águas termais e o nascimento de uma cidade.
A zona de recarga é a serra dos Candeeiros, em afloramentos do Jurássico Superior, escoando-se a massa de água sobre as “Camadas da Dagorda”, de onde ganha a maior parte da sua mineralização. Na parte central da bacia o circuito hidromineral alcança profundidades entre os 1400 m e os 2100 m, pelo que o fluido chega a atingir temperaturas da ordem dos 75º C. As “Margas da Dagorda” constituem, portanto, uma barreira à progressão do escoamento hidromineral, provocando um fluxo ascensional rápido das águas profundas através da falha que bordeja o diapiro na parte oriental, dando origem a descargas subterrâneas importantes, cujos caudais parecem ter-se mantido inalteráveis desde o século XVI.

Concluímos então que, determinadas condições geológicas favorecem o aparecimento de recurso hidrotermais que estão na origem e desenvolvimento da cidade das Caldas da Rainha.

Dinis, J. L., Nazaré: do Canhão à “falha”, da Hipótese ao Mito, 385pp a 387pp.
Caldas da Saúde. Online: http://www.caldas-da-saude.pt/ (disponível em 24 de Fevereiro de 20011).
Snirh Júnior. Online: http://snirh.pt/junior/ (disponível em 24 de Fevereiro de 20011).
e-Geo – Sistema Nacional de Informação Geocientífica / LNEG (2004). Catálogo de Recursos Geotérmicos em Portugal Continental. Online: http://egeo.ineti.pt/bds/recursos_geotermicos/Ocorrencias/39_caldas_rainha.htm (disponível em 24 de Fevereiro de 20011).
Mapa de Portugal. Online http://www.google.pt (disponível em 24 de Fevereiro de 20011).
Mapa das Caldas da Rainha. Online http://www.google.pt (disponível em 24 de Fevereiro de 20011).
Museu do Hospital e das Caldas. Hospital de Nossa Senhora do Pópulo. Online: http://museudohospital.wordpress.com/historia-e-patrimonio/o-centrohospitalar/ (disponível em 24 de Fevereiro de 20011).

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