Geoturismo – Uma perspectiva do concelho de Porto de Mós

Guilherme, J.; Silvério, J.; Santos, L.

Geoturismo

O geoturismo é um tipo de turismo de natureza em recente expansão, que surge com a intenção de divulgar e valorizar o património geológico, o que possibilitará a sua conservação. Tal actividade utiliza locais atractivos e geologicamente interessantes, divulgando a geodiversidade da região, sendo útil, portanto, para promover a associação com actividades de ecoturismo, unindo, assim, a biogeodiversidade.

Enquadramento geográfico e geológico

O concelho de Porto de Mós encontra-se inserido na sub-região Pinhal Litoral, da Região Centro, confinado a Norte pelos concelhos de Leiria e Batalha, a Sul pelos concelhos de Santarém e Rio Maior, a Nordeste, Batalha e Alcanena e a Oeste com o concelho de Alcobaça. O concelho de Porto de Mós tem 13 freguesias.
Referimos neste trabalho vários locais localizados no Maciço Calcário Estremenho, unidade geomorfológica elevada acima da Bacia do Tejo, da Plataforma Litoral e do sinclinal de Ourém, constituído essencialmente por calcários do Jurássico. O maciço encontra-se dividido em três regiões elevadas, a Serra dos Candeeiros, Planalto de Sto António, Planalto de S. Mamede e Serra de Aire. A separá-las estão os dois grandes sulcos tectónicos de Rio Maior-Porto de Mós e Porto de Mós – Moitas Venda, ao longo dos quais se formaram as depressões de Mendiga, no primeiro, e de Alvados e de Minde, no segundo.

1ª Paragem

A Fórnea situa-se no Planalto de Sto. António, e daí podemos observar as unidades geomorfológicas: Polje de Alvados e Planalto de S. Mamede e a Serra de Aires.
O Planalto de Sto António com forma triangular, de vértice apontado para norte, é constituído por superfícies altas limitadas por escarpas vigorosas, a ocidente e a oriente, e uma vertente meridional que desce progressivamente até ao bordo sul do maciço. Neste planalto instalaram-se depressões fechadas formando dolinas ou uvalas, podendo atingir uma centena de metros, campos de lapiás, algares resultantes da circulação da água subterrânea.
A Fórnea, um anfiteatro com cerca de 500 m de diâmetro, na escala do tempo geológico insere-se no Jurássico Inferior. Está-se aqui na extremidade setentrional do Polje de Alvados, uma extensa depressão com o fundo aplanado, entre os 260 m e os 235m, circundado por vertentes íngremes, aberta na parte norte por ribeiras temporárias afluentes do Rio Lena, o Rio Cabrão e o Ribeiro da Fórnea, que se juntam para formar o Rio Alcaide. Á semelhança da maior parte da Orla Mezo-Cenozoica, as unidades do Liásico médio e superior mostram nesta região uma espessa acumulação margo-calcária (cerca de 220m). Esta acumulação margo-calcária corresponde a um conjunto alternante de margas calcárias de calcários margosos, cada vez mais micríticos para o topo, onde as margas estão praticamente ausentes.
As unidades apresenta grande abundância de rinconelídeos, bivalves endobentónicos, bivalves, e amonites.
O Polje de Alvados deve a sua forma ao traçado das falhas, NW-SE, que o delimitam, a mais importante das quais é a escarpa de falha da Costa de Alvados.

2ª Paragem

O “Miradouro Jurássico” situa-se a 500 m de altitude, no planalto de S. Mamede e Serra de Aire, de onde se pode observar a Serra dos Candeeiros, o polje de Alvados e também o próprio planalto de S. Mamede e Serra de Aire. É formado por 15 blocos de calcário que representam o número das principais épocas do período Jurássico e da época de formação das rochas dominantes das Serras de Aire e Candeeiros. O Miradouro inclui ainda dois grande elementos de basalto, rochas eruptivas intrometidas nos maciços calcários sedimentares.
O planalto der São Mamede constitui uma extensa região planáltica separada da plataforma litoral pelos relevos de Alqueidão da Serra, que se intrepõem entre vale do Lena e a escarpa de falha de reguengo de Fetal. A Serra de Aire é relevo anticlinal alongado na direcção este-nordeste, cortado por falhas transversais que orientam alguns vales de direcção Noroeste-Sudeste, dos quais o mais profundo é o vale Garcia apesar da sua altitude ser superior em mais de 100 metros ao nível da Pias e não haver continuidade morfológica, também aqui existem dolinas (Covão do Milho) e não faltam os depósitos detríticos grosseiros aparentados aos que se observam no planalto de São Mamede.
Toda superfície da Serra é um extenso campo de lapiás. Os algares são mais frequentes e profundos nas vertentes setentrionais, atingindo profundidades raramente superiores a 100 metros.
A formação de calcários micriticos representa a maior parte da área da Serra.
A base dos calcários micriticos da Serra de Aire e litologicamente marcada pela passagem, em continuidade sedimentar, das séries mais ou menos dolomíticas subjacentes a calcários micriticos compactos com presença variável de oncóides, nódulos de algas/cianobactérias e fenestrae.Os calcários oolíticos de Regungo do Fetal são unidades lenticulares no seio dos calcários micriticos da Serra de Aire.Definem uma mancha cartográfica de orientação aproximadamente N-S, a oriente de Reguengo do fetal e a ocidente de São Mamede.

3ªparagem

As Lagoas do Arrimal são duas lagoas, designadas Lagoa Pequena e Lagoa Grande. Situam-se na zona do polje da mendiga.
A partir do polje de Minde podemos observar de um lado a Serra de Aire e do outro, o planalto de Santo António.
O polje de Mendiga é uma depressão que se estende ao longo do bordo leste do bloco abatido entre o planalto de Santo António e a Serra dos Candeeiros. Na sua parte mais larga, no paralelo de Mendiga, tem cerca de 2.5 Km, mas 7 Km a Norte, em Serro Ventoso. A largura do fundo é inferior a 500 m. Este é em geral rochoso e a maior espessura de sedimentos localiza-se junto à base da escarpa de falha de costa da Mendiga, no sulco que se estende desde Serro ventoso até Lagar Novo em Arrimal.
Considera-se, além do carácter tectónico da depressão, a importância da erosão fluvial na sua génese.

4ªparagem

O polje de Minde é enquadrado a ocidente pela imponente escarpa de falha da costa de Minde e da Costa de Mira, a Nordeste pelas vertentes do planalto de S Mamede e a Sudeste pelas vertentes da Serra de Aire.
Durante o Inverno é habitual que a mata, designação local, se transforme na lagoa de Minde, em resultado das inundações provocadas pela água qyue surge à superficie através das nascentes do olho de Mira, Poio, Contenda e Regatinho. Estas nascentes formam rios que se perdem em sumidouros no fundo da depressão. Os sumidouros utilizados situam-se cada vez mais a jusante, à medida que os níveis sobem, até que a cheia se inicia. nessa altura, em alguns pontos, a água brota do fundo do polje em resultado do transvase entre galerias contíguas, mas com diferentes graus de comunicação com os colectores principais
No fundo da depressão, existem depósitos de dois tipos: A pincha de Minde e a pincha do Alto do Lombeiro, sensivelmente a meio do polje, junto à costa. As pinchas são formadas por cascalheira de clastos calcários predominantemente angulosos e subangulosos, em matriz silto-argilosa, resultantes de erosão das escarpas.

Bibliografia

http://www.municipio-portodemos.pt/?EEAVQCEM=1P0gLj14&id_ep=116
Martins, F e Dinis, J. (2007). Actas do Simpósio Ibero-Americano, p. 145-154. SEDPGYM. Batalha. 2007
Manuppella, G et al. (2000). Noticia Explicativa da Carta Geológica nº27-A Vila Nova de Ourém. Serviços Geológicos e Mineiros.

Advertisements

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: