2 – Limite convergente continente – continente

  • Cadeias de colisão intercontinentais e intracontinentais
  • Convergência de duas placas continentais, ou seja, trata-se de um regime compressivo.
  • As cadeias montanhosas podem ser intercontinentais (dá-se nos limites de duas placas continentais) ou intracontinentais (formam-se nos continentes, afastadas dos limites de placas, sendo que a compressão da crusta permite a elevação de blocos de elevadas dimensões).
  • Espessamento da litosfera na região de colisão (pois ambas as placas têm a mesma densidade).
  • Formação de cadeias montanhosas, que apresentam, quase sempre, uma forma arqueada.
  • A maioria das rochas evidencia a ocorrência de episódios metamórficos de elevado grau.
  • Implica, na maioria das vezes, o fecho de um domínio oceânico, anterior à colisão principal (entre as placas continentais).
  • O desaparecimento da crosta oceânica é feito pela subducção dessa sobre a placa continental.
  • As cadeias de colisão intercontinentais mostram, na maioria das vezes, duas características essenciais: uma zona ofiolitífera ou sutura ofilítica e lâminas crustais empilhadas.
  • Vestígios de fenómenos vulcânicos e metamórficos associados a estas cadeias de colisão.

Exemplos:

Himalaias

Os Himalaias, que iniciaram a sua formação há cerca de 52 milhões de anos (Eocénico) , resultam da colisão da placa Indiana com a Euro-Asiática. Colisão essa, que, para além de permitir a ocorrência de fenómenos plutónicos, permitiu, também, a deformação intensa do material (visível pelas dobras e falhas). Tectonicamente, primeiro dá-se o desaparecimento de um domínio oceânico devido à aproximação do bloco indiano e da margem euro-asiática, graças à subdução do Oceano Tethys por baixo da futura cadeia. Só depois há uma colisão das duas margens continentais, levando à formação da cadeia montanhosa.

Pirinéus

Os Pirinéus, que separam a Península Ibérica e o resto da Europa, iniciaram a sua formação à aproximadamente 130 milhões de anos (Cretácico Inferior). Trata-se de uma cadeia intracontinental pouco simétrica, que possui um substrato granítico-gnaissico escamado, ao qual se associam alguma lâminas de peridotitos. Sendo que os terrenos se encontram metamorfizados nos locais de maior pressão e temperatura.

 Alpes

Os Alpes, que resultam da colisão entre a placa euroasiática e a placa africana, sendo esta colisão praticamente no sentido Norte-Sul. Começaram a sua formação no Cretácico Superior, aquando do fecho do domínio oceânico. Trata-se de um bloco continental constituído por mantos com a mesma vergência, sendo as margens continentais fragmentadas em lâminas granítico-gnaissicas. A grande diferença para os Himalaias reside no facto dos Alpes serem constituídos por ofiliticos especiais, onde predominam os peridotitos e os gabros. Nesta região há, ainda, um vulcanismo calcoalcalino associado à região.

Legendas

Figura 1 – Alguns tipos de cadeias de colisão. a – Himalaia nepalês; b – Himalaia W-Pamir; c – Alpes.

Figura 2 – Possível evolução da colisão alpina -> Uma possível evolução da colisão alpina obtida pelo perfil ECORS-ALPES. D – Zona de Delfinado; P – Zona de penínica (Z – Briançonesa e piemontesa); Lp – Material liguro-piomontês (ofiolitos e sedimentos oceânicos), F – Falha insubre; M – manto superior, S. zona Sesia (austro-alpina); SA – Zona sub-alpina. A letra a é apenas uma marca topográfica que permite visualizar o afundimento da crosta delfina sob o conjunto penínico.
1 – Cretácico terminal. O oceano alpino está praticamente fechado e a subdução oceânica termina. A frente do material oceânico (liguro-piemontês, Lp) que contacta com a margem europeia.
2 – Ecocénico superior. Colisão propriamente dita. O bordo da margem europeia (domínio penínico) é fragmentado em escamas que se empilham por “underplating”, isto é que as escamas mergulham para leste por debaixo das que se formaram primeiro. Uma parte do material penínico é levado até uma certa profundidade e metamorfizado em fácies cada vez de mais alta pressão consoante os locais, enquanto que outra permanece à superficie e desliza para o exterior da cadeia.
3 – Obligocénico inferior. A compressão do conjunto dos mantos penínicos e oceânicos continua a aumentar, provocando o seu soerguimento (flecha branca) e a formação da falha insubre, mais ou menos cavalgante. Mais a leste começa o abatimento da planície do Pó (flecha branca).
4- Miocénico-Actualidade. Uma nova contração provoca o subcarreamento do soco delfinense sob as zonas internas que continuam a elevar-se e a erodir-se. Os maciços cristalinos externos aparecem, tal como as dobras subalpinas. Em profundidade esta concentração provoca também uma forte escamação do manto que se eleva para a superfície. A estrutura com dupla vergência acentua-a com uma escamação sub-alpina com vergência sul na bordadura da bacia padânicia.
A subida rápida dos maciços cristalinos externos obriga ao movimento da frente penínica como falha.

Figura 3 – (Grisé claro: taludes continentais, grisé escuro: crosta oceânica. Os contornos da Espanha e da França só são indicados a título de referências geográficas).
A – Do Albiano ao Companiano. A Espanha desliza com movimento esquerdo em relação à França, o que origina a formação de pequenas bacias em pull-apart (PA) consideradas como podendo estar na origem das escamas dos Iherzolitos. Este deslizamento é acompanhado de um deslocamento do polo de rotação associado à abertura do golfo da Gasconha.
B – No Companiano. O golfo da Gasconha está completamente aberto. A Espanha pára a sua subida para NE.
C – Fim do Cretácico. A Espanha sobe para NE. o dobramento começa nos Pirenéus orientais.
D – Eocénico. O movimento da Espanha faz-se abertamente para N. O dobramento estende-se a toda a cadeia.

Bibliografia

DEBELMAS, J., MASCLE, G. (2002) As grandes estruturas geológicas. Fundação Calouste Gulbenkian.389 pp.
Oliveira, Ó.; Silva, J. C.; Ribeiro, E.; (2011) Geodesafios, Edições Asa
Debelmas, J.; Mascle, G.; (2002) As Grandes Estruturas Goelógicas, Edição da Calouste Gulbenkian
http://www.geomarco.com/htm/temas/Placas2.jpg

Coordenador e autores.

Jorge Miguel Henriques Luís Guilherme – coordenador
José Pedro  Sousa Cardoso
Sabina Alexandra Trovão Comendinha

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