Galopimnites – As bonecas de areia

Santos, C.; Monteiro, F.; Baptista, R.; Marques, R.

Como explicar a existência de “bonecas-de-areia” em pleno maciço calcário estremenho? A partir desta situação-problema definimos como objetivo localizar, identificar e caraterizar estas estruturas que surgem numa lapa da Serra dos Candeeiros.
Numa saída de campo conseguimos localizar a lapa, onde de acordo com dados de pesquisa bibliográfica, existiriam as “bonecas-de-areia”. Na saída de campo recolhemos uma pequena amostra e em laboratório procedemos a duas atividades para o estudo mineralógico destas estruturas.

Na Serra dos Candeeiros, perto da povoação de Pedreiras, no Concelho de Porto de Mós, numa lapa (uma caverna pouco profunda) podemos observar as “bonecas-de-areia”. Latitude: 39º34,23.7’’N. Longitude:  8º51,28.25’’W

Em plena plataforma litoral, afloram Arenitos de Assentiz e de Batalha (PAB), oriundos do período Terciário (Miocénico Superior a Pliocénico – 11,2 a 1,6 M.a.), a altitudes que variam desde 120 a 180 m, inseridos em calcários do período Jurássico. Estes depósitos são constituídos por arenitos de grão grosseiros, com grãos de quartzo róseo, com seixos sub-rolados de quartzo e sequências argilosas. Na serra dos Candeeiros, a meia-encosta, estas formações lenticulares estão cobertas com brecha calcária de origem tectónica ou sedimentar (“Brecha da Serra dos Candeeiros”).
Em finais do ano de 2005 foram descobertas nesta lapa da Serra dos Candeeiros, que durante muito tempo era um areeiro ao serviço da população local, umas estruturas areníticas, que correspondem a associações de concreções com formas muito variadas, normalmente de forma esférica, constituídas por areias aglutinadas por um cimento carbonatado. Mais tarde, o Prof. Galopim de Carvalho, com o seu assistente, José Cascalho, estiveram no local e fizeram um estudo aprofundado sobre as “bonecas-de-areia” de Porto de Mós. Este termo resulta da semelhança destas estruturas esferoidais em cachos com as conhecidas “bonecas-de-loess”. Depois de muita insistência junto do Prof. Galopim de Carvalho, estas bonecas foram batizadas com o seu nome – Galopimnites.

ATIVIDADE 1 – Reação à presença de água e de  ácido

Colocámos estruturas esferoidais em água e em HCl. No gobelé com água as estruturas permaneceram iguais, no gobelé com ácido verificámos que este fez com que o cimento que unia os sedimentos das galopimnites se dissolvesse, desfazendo, as estruturas. Concluímos, assim, que o cimento era de natureza carbonatada (CaCO3).

ATIVIDADE 2 – Dureza das areias

Colocámos as areias resultantes da atividade 1 entre duas lâminas de vidro (dureza 5,5, na escala de Mohs) e friccionamos de modo a verificar se estas ficavam riscadas. Como isso se verificou concluímos que as areias têm um grau de dureza superior sendo, por isso, provavelmente areias quartzíticas.

ATIVIDADE 3 – Observação à lupa binocular

Observámos as areias resultantes da atividade 1 à lupa binocular e verificámos a existência de grãos de dimensões muito próximas arredondados a subarredondados, de incolores até cor rósea. Os grãos de mariores dimensões apresentavam pequenas marcas que associámos ao picotado eólico referido na bibliografia.

As Galopimnites são estruturas esféricas que se originaram a partir da aglutinação de areias, por um cimento CaCO3, resultante de percolação de água enriquecidas em carbonato de cálcio, após percurso no interior do maciço calcário. Ao precipitar o carbonato de cálcio permitiu a cimentação dos sedimentos areniticos de quartzo, formando, assim, as estruturas arredondadas em cacho vulgarmente chamadas de “bonecas-de-areia”.

As areias quartzíticas resultaram de transporte pelo vento e pelo mar que existiu neste local durante o Miocénico Superior e o Pliocénico. Estes sedimentos foram depositados na base da arriba fóssil da Plataforma Litoral, orientada pela falha Serra dos Candeeiros nor-nordeste.

BIBLIOGRAFIA

www.minermos.com

Carta Geológica 27-A – Vila Nova de Ourém e notícia explicativa

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