Rochas magmáticas em pleno carso

Santos, C.; Amado, L.; Pescada, J.; Casqueiro, R.; Damásio, C.; Vale, B.

Existirão no maciço calcário estremenho rochas magmáticas? Foi este o ponto de partida para o nosso trabalho que tem como principal objetivo localizar, identificar e caracterizar rochas magmáticas existentes na nossa região. Após a análise das cartas geológicas de Leiria, Alcobaça, Vila Nova de Ourém e Caldas da Rainha, verificámos que existem vários afloramentos de natureza magmática na região, nomeadamente: Morro do Castelo – Leiria, Bairro dos Capuchos – Leiria, S. Bartolomeu – Nazaré, Morro do Castelo – Porto de Mós, Alqueidão da Serra – Porto de Mós e Portela de Teira – Rio Maior. Selecionámos para visita e recolha de amostras estes três últimos locais.

Na região abrangida pela folha 27-A (Vila Nova de Ourém) – Fig.1, os afloramentos correspondentes às rochas eruptivas ocorrem associadas à estrutura diapirica de Batalha – Porto de Mós – Mendiga. A diferente disposição destes afloramentos no terreno permite separá-los em dois grupos:

-um, de orientação N-S, representado pelos afloramentos dispersos desde o sul da Batalha até Porto de Mós e a NW de Mendiga, e cuja instalação se correlaciona com os acidentes tectónicos na dependência da atividade diapírica. Pertence também, a este grupo o afloramento basáltico  a SW de Casais do Chão de Mendiga;

-outro onde se incluem os afloramentos associados às falhas de orientação NW-SE que cortam o flanco oriental da estrutura diapírica, e que estão representados pelas intrusões de Alqueidão da Serra e Livramento e pelos filões de Perulhal, a Este da Batalha, e os a NE de Mendiga, que cortam o maciço calcário correspondente ao planalto da Serra de Santo António.

Saída de campo:

1.ª paragem  – Morro do Castelo de Porto de Mós

  Dado que a resistência das rochas magmáticas, mesmo se por vezes alteradas, tende a ser superior à das rochas sedimentares encaixantes, os corpos ígneos formam frequentemente afloramentos topograficamente elevados, tal é o caso do Morro do castelo de Porto de Mós (Fig.2), constituído por um dolerito profundamente alterado por meteorização química (Fig.3). O dolerito é uma rocha ígnea hipabissal (formada a pequena profundidade), com textura fanerítica, constituída essencialmente por plagioclase cálcica e minerias máficos, como hornblenda (anfíbola), olivina e piroxena. Pertence à família dos gabros e apresenta cor escura.

2.ª paragem  – Afloramento em Alqueidão da Serra

   Entre os diversos afloramentos merece referência particular o de Alqueidão da Serra, não só por ser o de maior expressão mas também por se apresentar bastante fresco. Tal observa-se macroscopicamente (a pedreira junto à estrada mostra uma rocha fresca de granularidade variável) e confirma-se oticamente pela rara presença de produtos de substituição de olivina (serpentina) e de feldspatos (sericite e minerais de argila). Neste local pudemos encontrar doleritos que apresentam disjunção esferoidal. A disjunção esferoidal ocorre principalmente em rochas intrusivas e consiste na fragmentação e separação de camadas curvas de um bloco geralmente esférico. O seu mecanismo permanece desconhecido mas pode resultar de fendas paralelas à superfície do afloramento causadas por alteração química ou da distribuição diferencial de meteorização química e mudanças de temperatura (meteorização física) (Fig.4).

3.ª paragem  – Chaminé Vulcânica de Portela da Teira

Pelo dorso da Serra dos Candeeiros em direção a Casais Monizes-Alcobertas-salinas de Rio Maior pode observar-se a chaminé vulcânica / filão camada-basáltico (Fig.5)  de Portela de Teira (um pouco a sul de Alcobertas) com belas colunas de disjunção prismática  em basalto (Fig.6). A disjunção verifica-se em colunas com cerca de 0,5 m de diâmetro por 15 a 20 m de altura, verticais. A disjunção prismática corresponde a um tipo de alteração existente em rochas vulcânicas, relacionada com contrações que se geram no seio da escoada, aquando do arrefecimento e solidificação da lava, formando assim prismas de forma hexagonal que são sempre perpendiculares à superfície de arrefecimento. Este local, de importância didática e estética, infelizmente está seriamente ameaçado, pois, apesar da intervenção do IGM que conseguiu restringir a exploração em curso de molde a que esta não atacasse diretamente a frente do afloramento, as constantes explosões e movimentações de rocha no núcleo induzem a fraturação e desmoronamento dos prismas da fachada.

Concluímos, desta forma, que no maciço calcário estremenho existem vários afloramentos de rochas magmáticas, alguns dos quais de elevado interesse geológico e paisagístico. Estes afloramentos inserem-se na Orla Meso-Cenozóica Ocidental portuguesa e estão associados à abertura do norte do Oceano Atlântico, com as suas diversas fases de rifting. A segunda fase de atividade ígnea, do final do Jurássico e início do Cretácico inferior, de natureza alcalina, transicional, com idades entre aproximadamente 130 e 150M.a., é representada por numerosos afloramentos, situados entre Rio Maior e Soure, e está associada ao regime distensivo que entre o Triásico Superior e o Cretácico Superior afetou a Margem Ocidental Ibérica onde se instalou a Bacia Lusitaniana.

Fig1a Fig1b Fig2 Fig3 Fig4 Fig5 Fig6

Bibliografia

-http://roteirosgeologicos.wordpress.com/2010/07/30/rochas-igneas-da-regiao-de-leiria-outros-materiais-de-apoio-a-visita/

-http://roteirosgeologicos.wordpress.com/2010/07/29/rochas-igneas-da-regiao-de-leiria-%E2%80%93-mapas-interactivos/

-http://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2010/02/formacao-prismatica-de-basalto-em-teira.html

-http://www.geocaching.com/seek/cache_details.aspx?guid=b4a9bd65-1cb8-41db-8d70-8a5617996a0c

-Notícia Explicativa da Folha 27 A- Vila Nova de Ourém

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