Um rio, um projeto de educação ambiental

Malhado, A.; Coutinho A.; Paulo L.; Rosa M.; Coutinho M.

O principal objetivo deste trabalho é o estudo da bio e geodiversidade de um troço de 500 m do rio Lena, afluente do rio Lis, próximo da nascente e junto da povoação de Ribeira de Cima, concelho de Porto de Mós. O trabalho integra-se no Projecto Rios, que visa a participação social na conservação dos espaços fluviais e que tem mobilizado muitos alunos e escolas do país. A área analisada integra-se no Parque Natural das Serras d’Aire e Candeeiros (PNSAC), uma área protegida de elevado interesse geológico, biológico e paisagístico, extremamente rica em fenómenos cársicos.

Os habitats cársicos são considerados peculiares e dinâmicos na sua geomorfologia, hidrologia e ecologia, mas muito vulneráveis a acções antrópicas, em especial quando há exploração de recursos. O troço do rio analisado corre sobre aluviões do fundo do vale do diapiro de Porto de Mós, em que unidades argilo-evaporíticas afloram limitadas por falhas que as separam dos calcários. Mesmo na nascente – o Olho de Água da Ribeira de Cima – os caudais são significativos, pois trata-se de uma exsurgência cársica permanente. Isto significa que a água é carbonatada, mas provavelmente um pouco salina e cloretada, por dissolução dos evaporitos. Já os materiais aluviais são siliciosos e um pouco carbonatados.

A metodologia utilizada envolveu uma saída de campo para recolha de dados geográficos, físico-químicos, etnográficos e biológicos (figura 2), no sentido de avaliar o estado do troço em estudo.

Recorrendo ao manual do Projecto Rios e a guias de identificação de espécies, foram identificados diretamente em campo e, posteriormente em laboratório, um conjunto de macroinvertebrados( fig. 1 e 3 e tabela 1) característicos de águas em boas condições, o que se deve, em parte, ao facto do troço analisado se encontrar próximo da nascente, onde os efeitos de poluição são menores. Relativamente ao património humano foi identificado, na região em estudo, um único moinho de água em  funcionamento ( fig.4).

Os resultados obtidos permitiram concluir que a margem direita se encontra muito mais naturalizada e com maior abundância de vegetação ripícola, enquanto que a margem esquerda se encontra mais humanizada.

Foi efetuada uma amostragem de um conjunto de macroinvertebrados aquáticos e, de um modo geral, conclui-se que a área monitorizada se encontra em bom estado.  Por outro lado, constatou-se que a água tem sido aproveitada para regar as culturas e a sua corrente tem fornecido energia para o funcionamento de moinhos de água, pelo que, na zona em estudo, foi identificado um único moinho em funcionamento. Importa, assim, alertar para a fragilidade e preservação deste património aquífero, biológico e etnográfico, sendo que este sistema natural constitui um recurso indispensável ao Homem, no passado e no presente, sendo a água doce um bem cada vez mais precioso. Na segunda saída de campo, a realizar na Primavera, é possível que a diversidade de macroinvertebrados aquáticos seja maior, bem como se torne mais fácil a classificação florística, uma vez que os fatores abióticos são mais adequados (luz e temperatura).

Figura 1 – Macroinvertebrados amostrados (moluscos gastrópodes).

Figura 1 – Macroinvertebrados amostrados (moluscos gastrópodes).

Figura 2 – Identificação de espécies vegetais.

Figura 2 – Identificação de espécies vegetais.

Figura 3 – Recolha e identificação de macroinvertebrados.

Figura 3 – Recolha e identificação de macroinvertebrados.

Figura 4 – Património etnográfico - moinho  de  água em funcionamento.

Figura 4 – Património etnográfico – moinho de água em funcionamento.

Figura 1 – Macroinvertebrados amostrados (moluscos gastrópodes).

Tabela 1 – Macroinvertebrados amostrados (moluscos gastrópodes).

Bibliografia

– Burnie, D. (1999).  Plantas Silvestres del Mediterrâneo, Barcelona.
– Forey, P. (1998). Vida Animal nos Rios e nos Lagos. Plátano Editora, Lisboa
– Humphries, C.J. et al (2005). Árvores de Portugal e Europa. Guia Fapas, Porto.
– Teiga, P. (2008). Manual de Monitorização do Projecto Rios; Associação Portuguesa de Educação Ambiental.
– Manuppella, G. et al. (2000) Notícia explicativa da folha 27-A Vila Nova de Ourém da carta Geológica de Portugal à escala 1:50.000. IGM, Lisboa, 156p.

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