A descoberta de vestígios de Leopardo, Panthera pardus (Lineu, 1758), no Algar da Manga Larga (Maciço Calcário Estremenho)

Fig. 1 – Crânio do Leopardo, Panthera Pardus, encontrado no algar.

Guilherme, J.; Cardoso, J.; Carreira, J.; Comendinha, S

Com este trabalho, pretendemos descobrir um pouco mais da geologia da nossa região, estudando, para isso, a descoberta do fóssil do leopardo, Panthera Pardus, que nos pode levar a prever como era a geologia da nossa reagião há milhares de anos.O Maciço Calcário Estremenho teve a sua origem em movimentos tectónicos da crusta terrestre, resultantes da colisão da placa africana com a placa euro-asiática, durante o ciclo Alpino. Localiza-se no centro de Portugal, a uma distância aproximada de 20 km do Oceano Atlântico e chega a atingir a altura de 680 m. Constitui o essencial do Parque Nacional da Serra de Aire e Candeeiros. Apresenta um relevo vigoroso e, dada a natureza calcária da maior parte das rochas, tem paisagens bastante peculiares, como o Polje de Minde e os muitos algares. O Algar da Manga Larga situa-se na parte ocidental do Planalto de Santo António (fig.4) . É uma cavidade cársica de desenvolvimento vertical (fig.6), que se formou através da dissolução de calcários jurássicos do Batoniano, com cerca de 160 Ma. É, também, o algar mais profundo conhecido em Portugal.

Durante uma ação de reconhecimento do Algar, em 2003, promovida pela Associação de Estudos Subterrâneos e Defesa do Ambiente (AESDA), de Torres Vedras, foi encontrado um conjunto de ossos (fig.1, fig.2, fig.5, fig.7). Posteriormente, o seu estudo permitiu concluir que se estava na presença de um grande felídeo da espécie Panthera pardus.

Uma nova descida ao local, permitiu recolher novos elementos que vieram a confirmar a determinação específica do leopardo, do ponto de vista biométrico. A ausência de grande parte do esqueleto (as peças recolhidas foram: crânio, mandíbula, vértebras, metacarpo, úmero direito), a distribuição espacial dos vestígios e o próprio local em que se encontram, indiciam a intervenção de fatores pós-deposicionais, pelo que se admite que o conjunto osteológico tenha provindo de um espaço subterrâneo superior, na sequência de um abatimento. A forma como os restos do animal estavam posicionados no interior da gruta, evidenciaram que ele terá perecido noutro lugar, tendo os seus restos sido transportados depois pela ação da gravidade e das das águas de circulação no interior das cavidades cársicas.

Não existem elementos estratigráficos ou materiais que permitam um enquadramento cronológico deste conjunto. A presença do leopardo na Europa abrange uma vasta faixa temporal, com cerca de 700 mil anos, que abarca todo o Plistocénico Médio e Superior. Note-se, porém, que a expansão atingiu o apogeu na transição do Plistocénico Médio ao Superior. A degradação climática, no decurso de Wurn, parece estar na origem da extinção do leopardo europeu, que não terá sobrevivido para além do Aurignacense em território extra-peninsular. Na realidade, a Península Ibérica parece ter constituído o último reduto do leopardo na Europa, tendo em consideração alguns dos contextos arqueológicos de Portugal (fig. 3) e de Espanha.

As datações de espécimenes desta espécie na Península Ibérica permitem admitir que o leopardo do Algar da Manga Larga poderá ter, com maior probabilidade, uma antiguidade de 20 000 a 35 000 anos, isto é, do final da última glaciação.

Bibliografia:

– Cardoso, J.L. & Regala, F.T. (2006). Comunicações geológicas – Tomo 93, Lisboa 2006. Ineti, Alfragide, 208pp.
– Zbyszewski, G.; Manupella, G.; Veiga Ferreira, O.; Mouterde, R.; Ruget-Perrot, CH.; Torre Assunção, C. (1974) – Carta Geológica de Portugal na Escala 1/50000 e Notícia Explicativa da Folha 27-A VILA NOVA DE OURÉM. Serviços Geológicos de Portugal. Lisboa.

http://www.aesda.pt/documentos/pdf/trogle5.pdf (consultado em 14 de Janeiro de 2012).

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