Vulnerabilidade geológica resultantes das novas infraestruturas da cidade de Leiria

Jorge Miguel Guilherme; Nuno Agostinho; Paulo Carreira; João Carvalho; Catarina Oliveira

Localizada a 39º 45′ N e 8º 48′ E, com altitude entre 50 e 110 m, a cidade de Leiria localiza-se no centro de Portugal, sendo sede de concelho e distrito. Em termos geológicos, localiza-se na convergência de duas grandes falhas crustais: o alinhamento Pombal-Leiria-Caldas da Rainha, orientado segundo NE-SW, e a estrutura de Monte Real. Sobre este cruzamento desenvolveu-se um anticlinal diapírico. Nos seus flancos é possível observar formações jurássicas (desde o Jurássico Médio), cretácicas e terciárias que apresentam declives elevados. No núcleo fraturado e erodido do anticlinal aflora o Jurássico Inferior (Hetangiano e Reciano) responsável pela halocinese, constituído por margas vermelhas ou cinzentas, com gesso, e calcários dolomíticos margosos, com uma extensa cobertura de Pliocénico siliciclástico. Ainda no núcleo emergem na paisagem relevos residuais de rochas ígneas (doleritos) da transição Jurássico-Cretácico. Sobre o ramo SW da falha das Caldas da Rainha o anticlinal tem um perfil assimétrico, com camadas verticais ou até mesmo invertidas no flanco ocidental, a que se pode associar uma compressão orientada SE-NW. Esta deformação (com dobras e falhas), não sendo atualmente intensa, considera-se ativa. A alteração da paisagem pelo desenvolvimento rodoviário criou perigosidade geológica em certos pontos, que, face à exposição de pessoas e bens, constitui maior risco. Por análise da carta geológica 1/50.000 e de imagens de Google Earth foram identificados quatro locais (1 a 4) com perigosidade geológica.

Estes locais, embora de naturezas diferentes, apresentam todos o mesmo perigo geológico. No local 1 e 2 os terrenos pertencentes ao Pliocénico são constituídos por areias argilosas com calhaus rolados, argilas arenosas e cascalheiras. O local 3 corresponde ao Jurássico Inferior (Hetangiano e Reciano), e é constituído por margas vermelhas ou cinzentas com gesso e calcários dolomíticos margosos. O local 4, pertence à Formação de Figueira da Foz , do Cretácico (Aptiano a Cenomaniano ), sendo constituído por uma alternância de areias, conglomerados e argilas . Em conjugação com a ausência de vegetação, as vibrações causadas pelo tráfego e as modificações no regime de percolação da água, tais taludes apresentam um risco geológico médio/elevado, despoletado por exemplo por precipitação intensa, sismicidade ou tráfego mais intenso que poderão causar movimentos de vertente. Estes movimentos podem envolver pequenas, quase imperceptíveis, quantidades de material ao longo de um declive reduzido ou podem constituir enormes deslizamentos que envolvem toneladas de rocha e sedimentos nos vales adjacentes a vertentes montanhosas abruptas como verificamos nos locais vistados.

Devido ao tipo de material heterogéneo, friável e não consolidado, ao declive, á dimensão dos taludes, á ausência de vegetação e ás vibrações causadas pelo tráfego associado às modificações no regime de percolação da água (ex: precipitação intensa), os locais identificados apresentam um risco geológico médio/elevado. Para estes locais sugerimos o cobrimento dos sedimentos em causa com vegetação a fim de os compactar e aumentar a permeabilidade dos solos, tudo isto associado a uma vigilância e controlo permanente dos movimentos dos taludes.

Figura 1 (Enquadramento geológico da cidade de Leiria)

Figura 1 (Enquadramento geológico da cidade de Leiria)

Figura 2 (Localização da cidade de Leiria)

Figura 2 (Localização da cidade de Leiria)

Local 1 (Azoia, junto ao cemitério)

Local 1 (Azoia, junto ao cemitério)

Local 2 (Alto Vieiro, junto ao acesso à A19)

Local 2 (Alto Vieiro, junto ao acesso à A19)

Local 3 (Leiria, junto à ponte da estrada para a Marinha Grande)

Local 3 (Leiria, junto à ponte da estrada para a Marinha Grande)

Local 4 (Cortes, Ponte Cavaleiro)

Local 4 (Cortes, Ponte Cavaleiro)

Webgrafia:

https://mesozoico.wordpress.com

Guilherme, J.; Cordeiro, A.; Silva, J. (2010) Zonas de Perigosidade Geológica no Litoral entre a Nazaré e Vale das Paredes. Instituto Educativo do Juncal. https://mesozoico.wordpress.com

Guilherme, J.; Ferreira, S.; Santos, R. (2010). Meteorização do dolerito do castelo de Leiria: implicações na cidade.Instituto Educativo do Juncal. https://mesozoico.wordpress.com

Teixeira, C, Torre de Assunção, C, Manuppella, G, Zbyszewski, G. (1968). Noticia Explicativa da Carta Geológica nº23c-Leiria. Serviços Geológicos e Mineiros.

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