O Mesozóico Português: o caso da Bacia Lusitânica

Artigo em actualização e em revisão

A História da Terra, o conjunto de todos os acontecimentos e fenómenos que ocorreram até aos dias de hoje, constrói-se através do estudo dos estratos rochosos. A sequência temporal dos eventos geológicos são constatemente actualizados e ajustados a uma escala do tempo geológico. A escala do tempo geológico é um calendário de idades relativas da história geológica da Terra. Esta escala é dividida em 4 unidades principais de tempo, sendo a seguir enunciadas em ordem de diminuição da duração temporal: éons, eras, períodos e épocas. Os éons são a maior divisão da história da Terra. A era mesozóica pertence ao Éon Fanerozóico, sucedendo neste éon à era Paleozóica e antecedendo a era Cenozóica. (ver Escala do Tempo Geológico)

O Mesozóico Português: o caso da Bacia Lusitânica

A Bacia Lusitânica corresponde a uma unidade morfoestrutural alongada NNE-SSW ao longo de cerca de 275 km, com uma largura de 150 km e a espessura máxima estimada para o preenchimento sedimentar da bacia é de cerca de 5 km. A sua definição iniciou-se no Triássico, em associação com a abertura do Atlântico Norte, em regime de estiramento crustal e subsidência controlados por sistemas de falhas com aquela orientação geral. A Orla Meso-Cenozóica Ocidental de Portugal é constituída, essencialmente, por sedimentos depositados na Bacia Lusitânica, posteriormente remobilizados por actividade tectónica compressiva.

Na transição do Triássico para o Jurássico, a sedimentação endorreica, essencialmente detrítica e continental, foi substituída a partir do Hetangiano por materiais salobros e marinhos, margosos e evaporíticos. Do Triássico para o Jurássico há uma modificação importante do quadro climático correspondente ao atual território português, pois a Ibéria, tal como outras massas continentais do hemisfério norte resultantes da fragmentação da Pangea, migrou de uma localização na faixa climática quente com estação seca predominante, para uma localização intertropical, ainda de clima quente mas húmido. O processo de rifting criou uma topografia irregular e dinâmica de blocos limitados por falhas normais, em muitos casos relacionados com reactivação de acidentes do soco.

Por sua vez, durante o Jurássico Médio e o Jurássico Superior, esses blocos delimitados por falhas normais foram sucedidos por litofácies carbonatadas marginais, de plataforma e pequena profundidade, carbonatos e lutitos hemipelágicos e também profundos, em sucessão perturbada por episódios regressivos, de natureza eustática ou intrabasinal. No início do Jurássico Superior ocorre uma compartimentação tectónica do fosso em blocos menores com rejogo tectónico diferenciado,, envolvendo mobilização por halocinese dos termos sedimentares mais antigos da Bacia, recobertos por espessa série sedimentar.

A maior parte da bacia experimentou emersão durante o Cretácico inferior, marcada por sedimentação fluvial, deltaica ou marinha de pequena profundidade, ou mesmo erosão. A partir do Aptiano, com o início da formação de crosta oceânica ao longo de toda a margem oste ibérica, passa-se a um contexto de margem passiva. O empolamento e a distensão associados à instalação da crusta oceânica ocasionou fases de levantamento regional,, sempre acompanhados de halocinese. A transgressão registada na transição ao Cretácico superior permitiu a total colmatação da bacia.

Na região a invasão marinha da base do Jurássico é visível em S. Pedro de Moel. As divisões do período Jurássico podem ser observadas na Serra dos Candeeiros e na zona de Alcobaça. A transição do Jurássico para o Cretácico pode ser observada no Vale Paínho (Juncal), onde se observa também um hiato de quase todo o Cretácico inferior. No sinclinal Alpedriz – Porto Carro, é possível observar depósitos da transgressão ocorrida na passagem Cretácico inferior-superior.

Bibliografia:

Press, F. et al. (2006) Para Enterder a Terra. Bookman. 4ª edição. S. Paulo.
http://www.stratigraphy.org/
Freitas, M. C., Ramos R., Henriques V., Andrade C., Dinis J.(2010). O Litoral entre Peniche e a Nazaré, Guia de excursão. Iberian Costal Holocene Paleoenvirenmental.
Correia, N. M. P.. Carta Geológica de Portugal.
Online:
http://sites.google.com/site/geologiaebiologia/placa-ib%C3%A9rica—evolu%C3%A7%C3%A3o ; http://sites.google.com/site/geologiaebiologia/carta-geol%C3%B3gia-de-portugal (disponível em 3 de Novembro de 2010).

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Comments
2 Responses to “O Mesozóico Português: o caso da Bacia Lusitânica”
  1. Michel Aion diz:

    Encontramos um sítio geológico com pedras do período Proterozóico. Queremos implantar projetos de preservação Ambiental e divulgar aos que amam a Ciência e a Vida! Abs

  2. Tainara Cristina diz:

    Eu gostei muito, me ajudou bastante no trabalho

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